Procurando por aquilo que eu já amei

Procurando por aquilo que eu já amei
Por Arthur Freitas • Edição Nº22 • Ver na web
Eu vi um filme muito bom de um amigo meu ontem, e tô pensando nele até agora. É um filme cheio de imagens reconhecíveis pra mim, e eu vejo elas como parte de uma outra vida agora.
Eu não sei se vocês assistiram A Vastidão da Noite (tá no Prime, e é muito bom), mas se vocês viram devem reconhecer esse sentimento, de quando aquelas pessoas estão contando as histórias estranhas sobre as luzes no céu, e você começa a experimentar as histórias na cabeça, como se fossem suas, porque você não as vê acontecer, só vê alguém contando. E mesmo assim sua mente cria elas na sua cabeça, como se fossem memórias.
Eu acho que a melhor arte faz esse tipo de coisa, e é algo que eu ando lutando pra encontrar ultimamente. Eu escrevi essa semana sobre como eu me sinto distante dos filmes ultimamente, e eu pretendo nessas próximas duas semanas tentar me reaproximar dele de alguma forma. É algo muito especial pra mim, e eu não quero que pareça parte de uma outra vida mais.

Jane Fonda em "Klute".
Jane Fonda em "Klute".
Minha dieta cultural nas últimas semanas
The Americans (Prime Video): eu já falei pra vocês como essa série é boa? Parece que não foi o suficiente, porque eu ainda tenho vontade de falar pra todo o mundo. Eu tô no meio da quarta temporada, e essa série usa tanto essa e a temporada anterior como o crecendo que leva ao clímax. Pelo que eu lembro, a quinta temporada é consideravelmente mais lenta (ela serve como queda para o epílogo da sexta temporada), mas eu amo como The Americans divide seus atos narrativos muito bem: a maioria das séries tenta aumentar o máximo essa subida da ação, levando o clímax, a decida e o epílogo todos para os últimos episódios. The Americans coloca esse clímax duas temporadas antes, e deixa a gente sentar e sentir cada segundo dele.
Klute (Popcorn Time): esse é o único filme da trilogia da paranoia de Alan J. Pakula que eu ainda não tinha visto, e eu não tenho ideia do porquê. Agora é um dos meus thrillers favoritos. Pakula era um desses diretores cheios de estilo, mas que nunca deixava o estilo subir à cabeça. Vendo os filmes dele tu percebe como ele usava esse estilo como exercício: como fazer ele funcionar para o filme que eu estou fazendo, e não o contrário. Ele era um mestre, e a gente devia olhar mais para seu trabalho.
Parks & Recreation (Prime Video): eu comecei a ver pela primeira vez essa série de comédia que todo o mundo me recomenda. É a única série da trindade de comédias da NBC (com The Office e Community) que eu não vi, e tô no primeiro episódio ainda, mas tô adorando. Eu amo a Amy Poehler.
Saint Maud (Popcorn Time): esse filme de terror causou um burburinho ano passado, e é merecido. Eu acho ele muito mais um drama interno e um terror externo, mas essa é parte da construção incrível dele: a gente vê só o terror por fora, e tem apenas uma ideia da tragédia por dentro da Maud, a personagem principal que parece lutar com um tipo diferente de demônio dentro do seu próprio corpo. É incrível.
Exhalation (Ted Chiang): eu voltei a ler o livro de contos de ficção científica que eu comecei a ler em janeiro e dei uma parada. Eu amo, mas tem uns curtas muito longos que acabam sendo contra o que eu procuro em um conto: uma história breve e afiada. Eu tô passando por um desses no momento, uma jornada pela vida de pessoas que cuidam de animais digitais em uma espécie de simulação do mundo real. É muito bom, mas é muito longo. Eu sei que o tamanho vai compensar quando o desenlace acontecer, mas ele tá demorando demais pra vir.
The Leftovers (HBO Go): os três primeiros episódios da segunda temporada dessa série são de tirar o chão do maior cético. São socos um atrás do outro vindos de lugares que a gente nem imagina. E pelo que eu lembre essa série só melhora, então eu mal posso esperar chegar no meu episódio de TV favorito (Lens, o episódio 6 dessa temporada). Eu gosto como ela consegue subverter todas as expectativas que você cria ao final da primeira temporada sem usar plot twists, apenas deixando as histórias seguirem por tempo suficiente até que você não consegue mais imaginar caminhos para ela. E mesmo assim ela continua. The Leftovers te ensina a não ter certeza de nada, porque isso te faz te surpreender com tudo. É a minha série favorita por esse motivo.
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