As minhas séries favoritas da HBO

As minhas séries favoritas da HBO
Por Arthur Freitas • Edição Nº30 • Ver na web
A HBO Max chegou ao Brasil, e eu finalmente posso recomendar algumas das minhas séries favoritas de todos os tempos para as pessoas sem também colocar um porém de que, pra assistir, vai precisar fazer muita gambiarra. A HBO Go era um pesadelo, mas enquanto eu usei a HBO Max nessa última semana eu tive uma boa experiência.
Eu não vou recomendar coisas como Família Soprano, A Sete Palmos e The Wire. Essas são três das melhores séries já feitas, e cada episódio é uma pequena obra de arte. Também têm os sucessos mais recentes, como Succession, Veep e Girls, que dominaram as premiações nos últimos anos e você não vai descobrir nada de novo se eu recomendar elas aqui. Quer assistir algo que tu certamente vai amar? Você vai ficar muito feliz com qualquer uma delas.
Por isso eu quero recomendar cinco séries pra você descobrir algo novo. Séries que geralmente não aparecem em listas por aí, mas que são fundamentais para o aparecimento de outras “melhores séries da TV”, porque esse é o bacana do catálogo da HBO: eles têm algumas das melhores séries já feitas, mas eles também têm experimentos que criaram outras séries fantásticas em outros lugares, mas que as raízes começaram aqui.
Diz que me ama (uma temporada, 40min): uma das séries mais desconhecidas do canal, Diz que me ama acompanha a vida de quatro casais em diferentes momentos da vida a dois. O que eles têm em comum é que todos encontram a mesma terapeuta. Diz que me ama é cru e direto, parece um filme do Dogma 95 em forma de série, e foi a série que caminhou para outras com o mesmo formato, como Girls e Veep, pudessem voar.
Looking (duas temporadas, 30min; um filme, 90min): Looking é uma das filhas de Diz que me ama, uma série de meia-hora que extrapola o formato de “comédia”, mas não chega a ser “drama” (eu escrevi sobre esse fenômeno em 2019!), em que três amigos gays vivem a vida em São Francisco. Esse é o melhor resumo que eu posso te dar, porque Looking não tem uma trama em si. É justamente sobre pessoas que estão procurando algo, e são guiados por Andrew Haigh, um dos mestres do cinema contemporâneo. Poucas séries são tão dolorosamente honestas como Looking, e menos ainda conseguem ser tão lindas ao mesmo tempo.
Treme (quatro temporadas; 60min): embora seja famoso por The Wire, David Simon tem esse clássico cult. Ao invés de observar os sistemas sociais através da guerra contra as drogas em Baltimore, Simon observa a luta social e cultural na Nova Orleans após o furacão Katrina. É linda, e como outras séries de Simon, gigante em escopo. Você vai conhecer dezenas de personagens, acompanhá-los em centenas de momentos durante os anos. É maravilhosa.
Enlightened (duas temporadas, 30min): se você já assistiu Fleabag, precisa assistir essa série. Enlightened é a germinação da ideia: uma mulher está tentando pôr a vida no lugar, mas absolutamente tudo parece estar contra a vontade dela de ser uma pessoa melhor. Enlightened é uma série escrita em um nível surreal de perfeição, um desenvolvimento de personagem tão preciso quanto doloroso e engraçado de assistir, e estrelado por ninguém menos que Laura Dern, a rainha do mundo.
The Leftovers (três temporadas, 60min): surpresa! Se você ê o Pão há um tempo talvez já esperasse essa última dica. Eu escrevi sobre The Leftovers por anos, e eu acho que esse meu texto sobre a série no ano passado foi a melhor coisa que eu já escrevi desde sempre. A história, que começa em um evento misterioso em que dois porcento da população mundial desaparece misteriosamente, segue uma ordem muito mais emocional do que lógica, e mesmo assim tudo faz sentido quando você espera por qualquer coisa acontecer. É a minha série favorita, é a melhor série que eu já vi, e mudou a minha vida pra melhor. Se você tá passando por uns maus bocados emocionalmente, se permita chorar pela falta de sentido no mundo, e depois chorar por finalmente encontrar algo que faça sentido no meio dele.

“First Cow — A Primeira Vaca da América”
“First Cow — A Primeira Vaca da América”
Minha dieta cultural nas últimas semanas
Depois de muito, muito tempo, eu finalmente fui no cinema de novo. De máscara, em uma sessão vazia no fim da tarde de uma quinta-feira. E mesmo assim foi especial. Eu assisti First Cow — A Primeira Vaca da América, um dos meus filmes favoritos do ano passado, e um dos filmes que me fez perceber como eu vejo filmes de um jeito diferente hoje em dia. First Cow é especial. Um filme que eu nunca vou esquecer, e ter voltado ao cinema para assistir ele depois de tanto tempo foi como receber um abraço de um velho amigo depois de muito tempo: melancólico, um pouco piniquento, mas completamente confortável, como se não houvesse outro lugar no mundo como naquele abraço.
Além de The Americans (Prime Video), que eu estou chegando no final da penúltima temporada, eu tô assistindo Betty (HBO) e Central Park (Apple TV+), que voltaram para suas segundas temporadas. Betty é um milagre a cada episódio, e Central Park voltou se dedicando à histórias menores, o que pra mim é sempre um acerto.
Eu joguei poucos jogos nessas últimas semanas. Eu encontrei todos os shrines em The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Switch) e dei uma avançada em Paper Mario: The Origami King e Game Builder Garage, mas nada demais. Espero conseguir jogar um pouco mais essas próximas semanas.
E eu tô lendo Orgulho & Preconceito da Jane Austen. Absolutamente magnífico. Parece que foi escrito ontem.
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Arthur Freitas
Por Arthur Freitas

Um textinho logo de manhã.
Links legais e leituras bacanas.
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Curadoria cuidadosa de Arthur Freitas via Revue.