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Caderno de Recortes # 41 - jogos vorazes políticos/Aaron Shikler

Caderno de Recortes # 41 - jogos vorazes políticos/Aaron Shikler
Por Zé Oliboni • Edição Nº41 • Ver na web
Olá, como vocês estão essa semana? Espero que bem.
Essa semana em vez da brincadeira com os recortes continuamos com pequenos estudos de aquarela. Espero que gostem.
Lembrem-se de compartilhar a newsletter com os amigos e, principalmente, com quem não pensa como você.

O jogo é bruto
Dentro de algumas bolhas sociais existe um clima de “luz no fim do túnel”. Parece que tudo de ruim que aconteceu no Brasil nos últimos anos terá um fim em 2 de outubro quando o país for para as urnas.
O cartunista Galvão Bertazzi publica todos os dias uma ilustração lembrando desse momento tão esperado.
Visite a loja do Galvão aqui www.galvaobertazzi.iluria.com
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Particularmente acho que esse clima de “jogo ganho”, muito incentivado por uma série de pesquisas que chegam a colocar o Lula como eleito já no primeiro turno, subestima o tamanho da tormenta que se abaterá sobre o país quando a campanha eleitoral começar de fato.
Nesse exato momento várias peças da máquina política estão em movimento para reverter o cenário de queda de popularidade de Bolsonaro.
Painel - FSP 20/03/22
Painel - FSP 20/03/22
Não é uma questão de demonizar os evangélicos, até porque a IURD representa apenas uma facção dessa religião e nem todos os fiéis compactuam com as ideias desses pastores que estão mais focados em manter uma rédea política do que cuidar do lado espiritual.
Mas movimentações como essa, uma possível melhora natural no cenário econômico com o arrefecimento da pandemia, o poder publicitário de quem está a frente da máquina pública e a movimentação do Centrão pode mudar o rumo das pesquisas mais rápido do que se pensa.
Por mais que o Centrão seja um grupo desprezível no sentido ético da sua atuação, a capilaridade política deles para angariar votos não pode ser menosprezada e se tem alguém contente com um governo patético e sem rédea como o de Bolsonaro, são esses políticos.
Por todas as frentes
Celso Rocha de Barros - FSP 21/03/22
Celso Rocha de Barros - FSP 21/03/22
Quem acompanha essa newsletter sabe que eu tenho insistido por demais nessa questão do Centrão. O número de deputados eleitos no legislativo federal tem um peso absurdo no futuro do país. Não é só uma questão de poder de decisão na hora das votações ou capacidade de ditar os rumos da pauta e até de derrubar ou de garantir um presidente. É na Câmara que transita o grosso do “orçamento secreto” (uma fonte considerável de roubos) e outras pautas que determinam se o presidente será capaz de governar ou não.
Mas, o mais importante, é que o número de deputados eleitos é a base de cálculo para a distribuição do “Fundão” eleitoral, um volume grotesco de dinheiro que hoje pode ser gasto quase sem fiscalização e que deixa os líderes partidários salivando. Esse mesmo número define a divisão do tempo de TV entre cada partido. Por mais que a TV hoje tenha perdido um pouco do impacto em relação as demais mídias, isso ainda é uma linha de corte importante.
Assim, começo a ter um pouco mais de esperança quando vejo atitudes como a de Guilherme Boulos e do PSOL.
Guilherme Boulos em entrevista para Mônica Bergamo - 21/03/22
Guilherme Boulos em entrevista para Mônica Bergamo - 21/03/22
Boulos já foi candidato a presidente, prefeito e seria candidato a governador. O PSOL é um partido com uma ideologia clara, bem definida e que apesar de ter poucos legisladores, tem mostrado coerência e qualidade nos mandatos. Mesmo sendo um partido muito associado às chamadas “pautas identitárias”, o fato de ter um programa que traz diretrizes gerais em todas as áreas faz com que a atuação dos representantes eleitos por eles não se limite a essas pautas.
A escolha de Boulos de não concorrer para um cargo que está com as perspectivas tumultuadas e ir buscar o legislativo não é uma estratégia tacanha de ir para o caminho em que a vitória é certa. O objetivo é mais amplo.
Uma das bizarrices do nosso sistema eleitoral é a proporcionalidade dos votos no legislativo que faz com que os “puxadores” de voto garantam vaga para uma penca de outros sujeitos muitas vezes sinistros. Quando alguém vota no Tiririca, não está prejudicando o país por causa do palhaço em si, mas porque ele estava alocado em um partido do Centrão e ajudou a eleger um monte de gente empenhada e deixar o país pior do que já estava.
Não estou fazendo campanha para o Boulos, PSOL ou qualquer outro partido, o ponto é só reforçar que temos cada vez mais que abandonar esse anseio por salvadores únicos e buscar a força em pensamentos coletivos coesos. Não foi a política que nos trouxe aqui e sim a falta de ideologia.
Pintores
Seguimos com Aaron Shikler para ir um pouco além do retrato da realeza dos EUA.
Shikler pode não ser um dos artistas marcantes da história da arte, mas ele tem seus momentos, principalmente no quesito composição. Olha como ele constrói de uma forma nada óbvia essa cena com uma postura intimista e uma luz que deixa o rosto e o corpo da violonista quase todo na sombra, criando uma aura de timidez.
De novo uma escola de composição interessante. Uma cena que passa a sensação de que não foi posada, como se ele passasse pelo local sem pretensão e captasse a imagem dessas pessoas sem que elas soubessem.
Shikler tem alguns trabalhos com flores. De novo, esse é um tipo de trabalho que se aproxima mais da artesania, de alguém que faz quadros decorativos para famílias ricas (o que na prática era a condição de Shikler), mas não há nada de errado em um artista que não está a todo momento tentando romper com as fronteiras da arte do seu tempo ou tentando inovar o ofício. Na verdade, são poucos artistas que de fato cruzam essas fronteiras e entram para a história quase como um “evento” que muda o curso do rio. O grosso da arte de cada época é feito por pessoas como Aaron, que atende demandas e consolida um estilo pessoal que não precisa ser único ou inovador.
Por fim, separei esse quadro porque ele tem uma densidade de cores e um estilo de pintura um tanto diferente dos demais. Aqui Shikler vem com essas cores chapadas intensas e esse estilo mais “recortado” que quase remete ao Hopper, que já falamos em edições anteriores.
P.S.
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Abraços e até a próxima.
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Zé Oliboni

Durante a semana eu junto uma série de notícias que me chamam atenção, comento e mando para você. Falo também de pintura, literatura, cultura pop e mais alguns temas que surgem no caminho.

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Curadoria cuidadosa de Zé Oliboni via Revue.