Caderno de Recortes #33 - Janones e o Brasil "real"/ Edward Hopper

#33・
57

edições

Assine minha lista

By subscribing, you agree with Revue’s Termos de Uso and Política de Privacidade and understand that Caderno de Recortes do Diletante Profissional will receive your email address.

Caderno de Recortes #33 - Janones e o Brasil "real"/ Edward Hopper
Por Zé Oliboni • Edição Nº33 • Ver na web
E passamos janeiro nesse clima estranho. Muita gente pegando COVID, felizmente a maioria sem grandes complicações. Com isso fica o impasse das restrições, que, ao que tudo indica, o país não suporta mais as restrições, nem financeiramente nem psicologicamente. Então tudo está funcionando, nesse ritmo meio normal em que a gente mantém os cuidados, mas não muito. Como dizia aquela placa famosa que virou meme: “é proibido beijar, mas se quiser pode”.

Ideias roubadas
Frase de Maria Homem - FSP 26/06/21
Frase de Maria Homem - FSP 26/06/21
Miopia
Esses dias estava vendo uma dessas pesquisas de intenção de votos que tentava medir quem seriam os herdeiros dos eleitores arrependidos de Jair Bolsonaro.
Os três primeiros colocados são Lula, Moro e Janones.
Não sei você, mas a minha reação foi: quem é Janones?
Sim, Janones não estava nem na corrida pela cadeira presidencial mas está à frente de uma galera que há tempos investe forte para chegar lá (Dória, Ciro e cia.)
André Janones é um deputado federal de Minas Gerais eleito pelo Avante (o antigo PTdoB que era uma dissidência do PTB).
Janones ganhou protagonismo durante a greve dos caminhoneiros no governo Temer e se elegeu logo na sequência.
É interessante notar que o motivo de Janones estar entre os herdeiros de Bolsonaro não está relacionado à ideologia e sim à forma de comunicação. Ao que tudo indica André Janones consolidou uma linha direta com o “Brasil real”. Aquele Brasil fora da “bolha das tendências”, o país do celular pré-pago cujo o principal meio de informação é o Facebook e o Whatsapp, aplicativos que tem o tráfego de dados gratuito em muitas operadoras.
Janones presta um serviço interessante de divulgar em uma linguagem simples e popular as mudanças na lei que afetam o cotidiano dos trabalhadores.
É pouco provável que Janones seja candidato a presidente, mas o fato de ele pontuar tão bem em uma corrida em que não estava participando é quase tão impressionante quanto o fato de voar abaixo do radar da “bolha do twitter” e dos grandes jornais em que analistas fazem análises complexas de diversos cenários.
O que me preocupa é saber o que mais desse Brasil “real” segue fora dos noticiários? Quando alguém como Jair Bolsonaro ganha uma eleição contrariando várias previsões, até que ponto isso é uma surpresa ou um desconhecimento dos analistas do povo que vive nesse país em que a energia elétrica virou artigo de luxo?
Capa da FSP 23/01/22
Capa da FSP 23/01/22
Centro-avante
Quando eu estava pesquisando sobre o Janones tentei entender qual a orientação política dele e do partido a que ele está filiado.
Eu sempre acho engraçado quando as pessoas tentam colar esses rótulos anacrônicos de direita, esquerda, comunista, fascista nos políticos.
Na prática, no Brasil, salvo raras exceções, a ideologia é uma mera propaganda para embalar um candidato para o grupo que tem mais chance de votar nele.
Como sabemos, quem governa mesmo o Brasil é essa massa chamada centrão, grupo ao qual o Avante, partido do Janones, pertence.
Bruno Boghossian - FSP - 25/12/21
Bruno Boghossian - FSP - 25/12/21
O mínimo
Na semana passada quando falei de uma empresária que reclamava sobre os funcionários que não aceitavam trabalhar se o salário não fosse decente e uma parte do texto se perdeu e não foi para vocês.
O que faltou dizer é que quando alguém vai abrir uma empresa normalmente faz vários estudos de viabilidade, faz uma série de cálculos para determinar o preço dos produtos e um dos componentes desse preço é o salário dos funcionários.
Já passou da hora dos empresários pararem de fazer essas contas com o piso salarial, ou com a ideia de que o funcionário pode ganhar menos para trabalhar em um projeto “super legal”. Se não é viável para o seu negócio pagar um salário que proporcione uma vida decente para o seu funcionário, talvez o seu projeto não seja tão legal assim.
Pintores
Seguimos essa semana com uma seleção de Edward Hopper, esse clássico americano que tem muito mais pinturas além da famosa Nighthawks.
Eu gosto muito desses quadros que usam uma técnica clássica de pintura para construir uma cena muito dinâmica. Em pinturas assim dá para ver a complexidade do pensamento do pintor na construção da imagem. Não se trata apenas da capacidade de definição, mas todo um pensamento em torno da composição, do ângulo e da história que se quer contar com a imagem.
Na edição passada, Adilson Terrível, do canal PoDebater, me chamou a atenção sobre a intensidade das cores que o Hopper usava e para como elas criam uma luminosidade única que impressiona quando vistas presencialmente. Imagina o brilho que tem esse gramado iluminado pelo sol. Só para ter uma ideia da dimensão dessa pintura, o quadro tem 86,36 × 127 cm e praticamente um terço dele é marcado por essa luminosidade.
Esse é um estudo quase monocromático muito interessante. O nível de variações de azuis é fantástico de ver.
Eu adoro esses retratos menos convencionais com um recorte que mostra pouco o rosto e foca em vários outros elementos. Muitas vezes essas pinturas revelam mais sobre a personalidade do pintor e do retratado do que um enfoque detalhado nas feições.
Tanto se fala de Hopper como um retratista da vida urbana depressiva, mas, como dá para ver, a seleção dessa semana trouxe um lado bem mais leve, litorâneo/campestre, do conjunto da obra dele. Como sempre, independente do tema, duas características são bem marcantes: o detalhismo e a escolha precisa do ângulo do recorte do cenário. Hopper é um verdadeiro diretor de fotografia.
P.S.
Obrigado a quem se inscreveu e leu.
Agradeço imensamente quem quiser compartilhar esse e-mail ou divulgar nas redes sociais.
Se quiser comentar algum tópico, sugerir pautas ou mandar sua história e/ou imagem para a newsletter, basta responder o e-mail que você recebeu.
Os links para me encontrar na internet e ler as edições anteriores do caderno de recortes estão reunidos aqui https://linktr.ee/diletante
No linktr.ee você encontra, também, meu link para amazon, se puder clicar nele antes de fazer suas compras, já me ajuda muito.
Abraços e até a próxima.
Curtiu essa edição?
Zé Oliboni

Durante a semana eu junto uma série de notícias que me chamam atenção, comento e mando para você. Falo também de pintura, literatura, cultura pop e mais alguns temas que surgem no caminho.

Para cancelar sua inscrição, clique aqui.
Se você recebeu essa newsletter de alguém e curtiu, você pode assinar aqui.
Curadoria cuidadosa de Zé Oliboni via Revue.