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Caderno de Recortes #28 - Jogo Político/Mineração/Gênios/Van Gogh

Caderno de Recortes #28 - Jogo Político/Mineração/Gênios/Van Gogh
Por Zé Oliboni • Edição Nº28 • Ver na web
Vamos começar com uma nota positiva. A Lei Cidade Limpa, que foi criada com o propósito de reduzir o estresse visual causado pela publicidade excessiva em São Paulo fez o favor de multar e ordenar a retirada do boizão de ouro da B3, o classificando, de forma muito justa, como uma publicidade irregular.

Ideias roubadas
Frase de Mirian Goldenberg - FSP 25/11/21
Frase de Mirian Goldenberg - FSP 25/11/21
Xeque-mate
Às vezes eu me pergunto porque eu leio tanta análise política. A maioria desses palpiteiros profissionais enxerga tudo como um jogo lógico, um tabuleiro de xadrez com regras bem delimitadas.
Bruno Boghossian FSP 24/11/22
Bruno Boghossian FSP 24/11/22
Já perdi a conta de quantas vezes disseram que agora Bolsonaro caía, que estava sem saída, que não tinha o que dizer para a base dele.
Algo que ninguém parece aceitar é que, enquanto as pessoas normais se pautam pela lógica, no tabuleiro de político de criaturas como Bolsonaro não existem regras nem limites.
Bolsonaro pode entrar no PL ou em qualquer outra dessas siglas vazias e parasitárias que o discurso não vai mudar. A pessoa que fala que vacina causa AIDS não está preocupada com sutilezas como contradições.
A única análise possível é que 2022 será um ano horrível. Vão inventar histórias de todos os tipos e pessoas aparentemente normais dirão com convicção que viram uma mamadeira de piroca voando no céu indicando o caminho.
Pegue o caso do Alckmin, por exemplo. Desde que anunciou que sairia do PSDB por uma rixa com o Dória (que ele colocou dentro do partido), já foi cotado para vice do Lula e, agora, para aliado do Bolsonaro.
Painel - FSP 25/11/22
Painel - FSP 25/11/22
Ou seja, pessoas entendidas em política e marketing foram capazes de desenhar dois discurso distintos e antagônicos que acham que parará em pé. Um quer vender um churrasco só de chuchu para um carnívoro convicto enquanto outro vai tentar convencer um vegano radical a levar, pelo menos dessa vez, um filé mignon bovino sangrando.
Infelizmente esse é o jogo. O discurso não importa, o que conta é quem será mais convincente.
Enquanto isso
FSP 01/08/21
FSP 01/08/21
Faz um tempo que eu quero comentar essa questão de Maceió que é tratada quase como uma nota de rodapé na imprensa nacional basicamente por não ser um desastre de impacto imediato como os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho.
Uma frase interessante é que devemos esperar o melhor, mas nos prepararmos para o pior. Em toda atividade humana devemos esperar a melhor das intenções. Extraímos minério para produzir algo que melhore nossa qualidade de vida. Mas a história nos provou que o Estado e a sociedade civil devem regulamentar e fiscalizar as atividades humanas para impedir que o pior aconteça.
Eventos como o afundamento de 5 bairros podem desestabilizar a vida de uma cidade como um todo, além de trazer prejuízos incontornáveis para as famílias afetadas diretamente.
Isso, as vidas perdidas na barragem, as tribos indígenas que estão sendo exterminadas e muito mais são o resultado de uma exploração feita visando o lucro máximo pelo custo mínimo. Algo em que várias etapas críticas de segurança foram ignoradas e uma negligência sistêmica se desenrolou.
Mesmo com esse histórico terrível, em vez de melhorar nossas defesas sociais, o governo está trabalhando para que a situação piore.
FSP 23/11/21
FSP 23/11/21
Esse é mais um dos exemplos do que essa gestão da Câmara dos Deputados, que vem chamado de a pior da história, está correndo para realizar.
Diante disso talvez algum analista político diria que esses deputados não têm chances de se reeleger, que não terão o que falar para a base deles. Mesmo assim, boa parte desse pessoal é reincidente contumaz no estelionato eleitoral e na reeleição aparentemente sem sentido.
Enfim… parece que voltei ao ponto anterior.
É claro que alguém vai correr pra dizer que as instituições estão funcionando, que o judiciário pode remediar os problemas. Mas sabemos que não é tão simples assim.
FSP 05/07/2021
FSP 05/07/2021
Dica de leitura
Depois de um bom tempo o livro saiu. Eu traduzi ele muito antes de pensarmos que existiria uma pandemia e uma crise desse tamanho. Por um bom tempo lamentei o fato de ele estar engavetado, mas, finalmente, está aí.
Quando me mandaram o livro para traduzir eu achei que seria alguma daquelas picaretagens de autoajuda, felizmente, apesar do título, o livro é um trabalho acadêmico bem sério que aborda a questão da genialidade, testando as teorias do autor com referências históric
as e dados estatísticos.
No geral eu sou mais leitor de ficção do que livros teóricos, mas adoro traduzir esse tipo de livro porque eu acabo conhecendo e me maravilhando com temas inesperados.
Pintores
Chegamos na última semana sobre o Vincent Van Gogh. Espero que vocês tenham gostado dos quadros que eu escolhi, no geral eu tento fazer uma seleção de pinturas menos conhecidas e de artes que me chamam a atenção. Quem quiser sugerir temas para as próximas edições, estou sempre a disposição.
Se fosse para escolher minha pintura preferida do Van Gogh seria essa. Parece meio simples, é um estudo comum de luz em um crânio mas tem muitos nuances interessantes. Primeiro, as hachuras coloridas que permeiam toda a obra desse artista. Segundo, algumas escolhas que são puramente gráficas como esse triângulo amarelo mais claro que se forma bem por trás do crânio e otimiza o destaque visual.
Esses detalhes, que alguns pintores intuíam por fazer a imagem “parecer melhor”, foram recolhidos aqui e ali por teóricos ao longo da história para formar o corpo de regras que chamamos de design.
Essas três imagens mostram como Van Gogh tinha uma abordagem particular dos três eixos fundamentais do estudo de pintura.
A paisagem tem uma construção quase acadêmica de perspectiva, com as linhas convergindo para um ponto de fuga na linha do horizonte, mesmo sem que haja construções mais complexas que pedem esse tipo de alinhamento. Apesar disso, o desenho e a solidez das nuvens geram um impacto visual único.
O retrato tem uma composição clássica na distribuição da tela, mas o personagem está em uma postura peculiar e é visto de um ângulo incomum. Isso, junto com a estilização do desenho, cria um resultado hipnótico.
Por fim, a natureza morta, em um cenário bem doméstico. Nada é mais comum no estudo da pintura do que uma cesta de frutas. Ainda assim, a gente olha para as cores e para essas pinceladas e sabe, sem qualquer dúvida, que é um quadro do Van Gogh.
Resolvi encerrar com um desenho. No geral as pessoas não dão tanta atenção aos desenhos, consideram eles meros meios para um fim, mas, quando falamos sobre pintura figurativa, o desenho diz mais sobre a forma como o pintor pensa do que qualquer quadro finalizado.
Van Gogh vivia um duelo constante entre as regras que diziam como fazer tudo certinho e seu estilo meio torto de ver o mundo.
P.S.
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Zé Oliboni

Durante a semana eu junto uma série de notícias que me chamam atenção, comento e mando para você. Falo também de pintura, literatura, cultura pop e mais alguns temas que surgem no caminho.

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Curadoria cuidadosa de Zé Oliboni via Revue.