Caderno de Recortes #19 - Prevent/personagens/Marcus Claudio

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Zé Oliboni
Zé Oliboni
Há quanto tempo você abre o seu computador/celular/tv e imagina um garçom de uniforme de gala lhe oferecendo um menu de atrocidades do dia?

Ideias roubadas
Frase de Celso Rocha de Barros - FSP 19/09/2021
Frase de Celso Rocha de Barros - FSP 19/09/2021
Curanderia
Acho difícil que a alguém não saiba o que é a Prevent Sênior, mas, se for o seu caso, se trata de uma empresa que se especializou em oferecer planos de saúde com foco nos idosos por valores inferiores ao das outras operadoras.
Aqueles que se ajoelham no altar do livre mercado sempre acendem uma vela para essa empresa que encontrou uma fórmula para atender justamente um público que gera muita demanda de tratamentos complexos (caros) cobrando mensalidades viáveis para uma classe média.
Enquanto os outros planos afugentam os idosos com valores que disparam a patamares insustentáveis no momento em que mais precisam, a Prevent abre os braços e, quanto mais a classe média se achata, mais eles crescem.
Por mais que a empresa tenha alguma ligação sombria com o governo atual, não foram os dotes do Bolsonaro como garoto propaganda que ampliaram o faturamento da empresa e, sim, o fracasso econômico do governo dele que corroeu toda a renda de quem não era milionário ou envolvido em algum esquema do governo.
Cada vez que a inflação sobe, mesmo quem tem uma vida privilegiada com uma renda de mais de 5 salários mínimos (algo muito acima de qualquer média nacional), fica com menos dinheiro no bolso, passa a ter que cortar as despesas fixas e mudar para um plano mais acessível pode ser uma necessidade (quando ainda é possível se dar o luxo de ter um plano).
A questão é que o tal “liberal na economia” tende a esquecer o adágio que gosta tanto quando se trata do problema alheio: “não existe almoço grátis”.
A Prevent não descobriu a fórmula secreta do milagre econômico da saúde. Sim, tem seus méritos no enxugamento da estrutura burocrática, na administração mais centralizada, mas o fechamento da conta sempre passa por uma ou muitas práticas obscuras.
Essa semana soubemos de uma série de barbáries que a empresa cometeu no transcorrer da pandemia. O que veio a público deve ser só aqueles casos cujo o vazamento era incontrolável, o grosso dos problemas nunca nem saberemos.
Mas, sejamos sinceros, a Prevent não é a raiz do mal aqui.
Primeiro, temos uma questão econômica que passa pelo aprofundamento da desigualdade social e pela erosão da renda da população.
Mas essa é a conjuntura estrutural que cria algo como a Prevent. A pessoa ganha um pouco mais, quer investir em não ter que disputar um lugar na fila do posto saúde, mas não ganha o suficiente para ser atendido no Alberto Einstein, como diz o presidente.
Para mim, o que mais me preocupa, é um problema que pode atingir tanto o paciente da rede pública quanto a elite da rede privada: a qualidade da medicina no país e os meios de regulamentação.
O que vimos no último ano e meio, mesmo fazendo concessões para os profissionais que tiveram que navegar no escuro tratando uma doença que, até agora, é desconhecida, mostra que a medicina como um todo precisa urgente de uma revisão de parâmetros, porque tudo que aconteceu, todos os absurdos, seguem com a chancela do CFM que permanece tão discreto que quase nem sabemos do papel social desse órgão.
Hélio Schwartsman - FSP 24/09/2021
Hélio Schwartsman - FSP 24/09/2021
Ideias roubadas
Marília Marz - FSP
Marília Marz - FSP
Personagens
Walter Porto - FSP 17/09/21
Walter Porto - FSP 17/09/21
Não é novidade que as pessoas sintam forçadas a fingir ser alguém diferente para agradar os outros. Se cavarmos na literatura, veremos que desde que existe isso que chamamos de “sociedade”, os seres humanos já criavam versões de si mesmos para usar em cada ocasião.
É claro que as redes sociais, de certo modo, profissionalizaram a arte. Não basta ser um personagem, tem que ter uma narrativa épica, uma missão, um bordão, uma galeria de vilões, uma história complexa de origem e tudo mais que se possa pensar para ser “mais interessante”.
Isso é exaustivo, prejudicial para a saúde mental e pode fazer com que a pessoa se perca no personagem.
Mirian Goldenberg - FSP 23/09/21
Mirian Goldenberg - FSP 23/09/21
No geral, a tecnologia é pensada para melhorar a nossa vida. As redes sociais, os blogs, mesmo mensagens na garrafa como essa que envio para você não deveriam ser um esforço interpretativo.
A vida como um todo é uma luta para descobrirmos quem somos. Querer ser outra pessoa, achando que é isso que fará você mais especial, pode fazer com que na hora de despir a máscara social, seja para alguém que você ama ou para você mesmo, revele-se que não tem mais nada ali.
Semana do Diletante
Quinta passada bati um papo com os amigos Amálio Damas e Adilson Terrível. Falamos sobre pintores nos quadrinhos. Quem estiver a fim, está disponível aqui.
Zé Oliboni - O Retorno - PodEntrevistar #20
Zé Oliboni - O Retorno - PodEntrevistar #20
Pintores
Depois de algumas semanas com Monet, acho que vale sair um pouco do passado.
Para não fazermos uma mudança brusca, quero trazer um artista atual, nacional e atuante, mas que é focado nas técnicas clássicas de pintura.
Por isso, mostrarei essa semana alguns trabalhos do pintor e professor Marcus Claudio.
Separei só o trabalho dele com carvão vegetal e grafite…
Espera, carvão é pintura?
Sim, pintar é depositar pigmento em alguma superfície, o que diferencia do desenho em si é a linguagem usada. O que você verá abaixo usa todos os recursos visuais da pintura.
Antes de ir para as imagens, gostaria de dizer que o o trabalho com carvão, ainda mais em um nível de excelência desses, mostra o desprendimento e o desapego do artista com o resultado. O carvão é uma técnica de baixa fixação, mesmo se tentar usar alguns sprays fixadores, parte da intensidade da arte se perde.
Acho maravilhoso o quanto tudo fica indefinido do queixo para baixo. O Marcus deixa apenas sugerido visualmente o pescoço, a roupa e os braços. Com manchas bem sutis ele resolve tudo. Você sabe que tem um braço ali, que ele é anatomicamente correto, ao mesmo tempo que não tem informação em excesso (para não perder o foco no rosto e no clarinete) e, de quebra, tem um movimento gestual intenso que dá vida a imagem como um todo.
É espetacular o quanto os grafismos e os movimento gestuais feitos com o carvão nessa imagem fazem com que a cena pareça ser dinâmica. É quase irresistível para o olhar a ilusão de que os músicos estão tocando seus instrumentos com todo um gingado.
Esse retrato do Dylan me chamou a atenção pela composição, a forma como a gaita está trabalhada muito bem definida justamente em uma área em que o cabelo é representado por movimentos gestuais tão ágeis e soltos. Parece quase como se o retrato fosse da gaita e o rosto é só um grafismo bem elaborado para compor a cena.
Antes de mais nada, reparem os níveis diferentes de contraste que o Marcus Claudio cria com o carvão e a profundidade que ele é capaz de mostrar. Além disso eu peguei essa imagem porque tem esse fundo bem manchado que remete a uma uma técnica de pintura com água ou solvente, algo muito inesperado no uso do carvão.
Por fim, um retrato clássico. A composição perfeita em que há um respiro entre o topo da cabeça e a borda do papel e uma área considerável embaixo para dar espaço para o coração da retratada.
Note como essa área “vazia” embaixo “fecha” visualmente a imagem. Ela faz com que aqueles grafismos que recortam a silhueta do cabelo não saturem demais a imagem e permite que o nosso olhar se foque no triângulo visual formado pelos olhos e a boca, a área mais detalhada da pintura.
P.S.
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Zé Oliboni
Zé Oliboni @oliboni

Durante a semana eu junto uma série de notícias que me chamam atenção, comento e mando para você. Falo também de pintura, literatura, cultura pop e mais alguns temas que surgem no caminho.

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