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coisas estranhas # - 85

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coisas estranhas # - 85
By moreno [newsletter] • Issue #16 • View online

La mala educación
Ninguém nesse lifetime vai me conhecer do propósito de aprender log e mol na escola. Não servem pra nada. Não me venham com “serve para calcular a trajetória dos aviões”. Porra, serve é pra nada. De modo que a ocupação das escolas só pode estar certa: o ensino é tão ruim, mas tão ruim, que as crianças não perderão nada ficando impedidas de entrar nas escolas ocupadas.
Tem uma música do Gabriel o Pensador que é um resumo de tudo que tá errado na escola. O sistema reforça e colabora com a imbecilidade. Eu por exemplo sou a prova viva de qualquer idiota pode ter um diploma de doutor. Basta seguir este manual. Se eu consegui, qualquer um consegue.
Por mim, meu filho estudaria no brizolão e eu aplicaria a grana do ensino fundamental e médio pra matriculá-lo no pH às vésperas do Enem, e então ele entraria na universidade pública. No ínterim a gente ia fazer atividades complementares como forest bathing, bibliotecas, visita à museus e clube do filme. Ou quem sabe a classe média decida parar de pagar escola particular e plano de saúde e passe a brigar por educação decente para os filhos, então o brizolão perderia o estigma de brizolão (porque quando eu era criança minha mãe dizia que se eu não quisesse estudar e repetisse de ano, não haveria problema nenhum, ela simplesmente me matricularia no brizolão no ano seguinte. eu dei mole, deveria ter realmente entendido a mensagem e repetido de propósito, solicitado a abertura de uma caderneta de poupança em meu nome). Mas na real não há um acordo na família sobre matricular as crianças no brizolão, porque em outro aspecto concordamos que a educação tradicional se trata menos da formação intelectual em si e mais do networking. Ou seja, quem estuda em Harvard não está lá necessariamente para ter a formação de excelência, mas sim ter um diploma de Harvard e garantir tudo aquilo que o título traz em termos de status social e econômico. O mesmo vale para o brizolão, porque afinal, um filho da classe média tem pouco a manter em termos de status social e econômico se ele está em outro “ambiente”. Preconceito, sim, porque como diria um dos meus professores favoritos (não o Feyerabend), é o que te posiciona no mundo. Sorry boys, c'est la vie.
Eu acho que a escola deveria ser um mix de núcleo anarquista com informação utilitária. Os pais das crianças de uma região próxima poderiam oferecer suas melhores habilidades para os filhos de todos os outros pais, em um movimento que substitui o voluntariado pelo preço da mensalidade. E a partir de uma base elementar de inteligência pragmaticista (por exemplo, saber ler e escrever, as 4 operações, porcentagem, estatística, etc), estender o currículo para algo entre a educação moral e cívica (não a militarizada, mas a do tipo que atende questões do dia-dia, como sistema tributário, relações coletivas, ética, arte, formação do cidadão, que precisa saber cozinhar, respeitar os mais velhos, aprender a dirigir, cuidar da saúde, praticar esporte, etc) e o currículo do John Dewey nos moldes da formação básica americana (o de cima, mais disciplinas específicas para cada tipo de aluno e suas aptidões).
Mais fácil escola sem partido do que um grupo de educadores sérios freireanos formular uma grande reforma curricular libertária? Sim, mais fácil. Daí eu fico pensando, pra que né, investir uma caralhada do PIB em educação, pra depois a galera toda educada e erudita votar na presidenta que recebe conselhos governamentais de uma cartomante?
Passado o singelo dia dos professores caí numa reflexão sobre os melhores professores que tive, na vida. Que eu me recorde, só 3 brilhantões, que se complementavam dentro do meu quesito do que é ser um professor fodão: um que é capaz de dar uma aula palestra versando sobre qualquer tema expondo sua opinião firme, mantendo-a por meio de esforço intelectual e não autoridade; outro que dava aulas surrealistas e fazia uma palhaçadas que pareciam não ter nexo algum, mas sempre ao final era capaz de wrap all things up fazendo com que tudo se encaixasse e fizesse perfeito sentido dentro daquilo que ele se propôs a ensinar; e outro que transcendia a excelência acadêmica porque foi capaz de criar elementos e conceitos novos, e embora fosse capaz de exprimir seu conhecimento didaticamente, pouco importava porque sua inteligência não estava ao nível de todos os demais professores da universidade, quiçá dos reles doutorandos. Uma pena que só fui conhecer professores brilhantes depois de quase 25 anos dentro de salas de aula, mostrando que aqueles que eu achava que fossem bons antes na verdade não eram tão bons assim. Claro, porque na vida, tudo é uma questão de parâmetros ou de geometria.
E você, teve um professor fodão, daqueles que merecem ser compartilhados como um TED talk? Manda os nomes aí e de repente a gente encontra uns vídeos deles no youtube. Minha contribuição, o genial Ricardo Kubrusly (um dos meus três preferidos) em uma palestra sobre um dos filmes mais espirituosos e ressonantes de todos, Feitiço do Tempo.
Leituras
certa vez uma colega de turma teve seu trabalho rejeitado porque a professora acreditou que o trabalho tinha sido todo copiado da internet. mas era real, eu conhecia o texto da menina, ela era boa mesmo. Quantos diplomas eu preciso para alguém acreditar que eu sou um acadêmico?
todas chóra com essa história do maluco tipógrafo profissional viajando pelo Espanha, que procurava o Museu Dalí, mas acabou entrando sem querer num museu de máquinas de escrever. cada uma mais linda que a outra. [aliás, vocês já viram um filme francês de menininha sobre uma secretária que vence o campeonato de datilógrafa mais rápida do mundo? Populaire, vejam
fascinante história do sensoriamento remoto e fotografias aéreas (parte 1 e parte 2)
saiu o livro “Que você é esse?”, do Antonio Risério, pra mim um dos maiores intérpretes do Brasil pós-moderno. tem essa entrevista/resenha que ele fala do perigo evangélico y otras cositas mas. Outro artigo recente dele reflete exatamente a minha descrença total no sistema político-eleitoral atual, que é bem similar à abordagem do Lawrence Lessig (meu candidato)
Links
o mundo bizarro da TV brasileira nos anos 90
Pun-Filled Halloween Costumes hilário. já vi uma versão do português com “sombra e água fresca” no carnaval carioca: era o maluco com uma palha de coqueiro e a mina com um regador molhando as pessoas
a diferença entre ter um bebê e ter um gato
boa parte do que vc paga por mês para ter tv a cabo vai para a ESPN. mesmo que você nunca tenha assistido o canal. entenda
saudades sentirei do vine. aqui um registro singelo que me deixa feliz pra todo o sempre 
quem você vê na foto abaixo, Tom Hanks ou Bill Murray? aqui está a explicação
vlw flw
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quando faço 3 gols peço chatuba de mesquita

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