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Mudança de carreira: pra onde? quando? como?

Revue
 
Não sei bem que dia era, mas lembro que após empreender por cinco anos eu me sentia bem perdida profi
 

Jogo de Damas®

7 de Maio · Edição Nº7 · Ver na web
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Não sei bem que dia era, mas lembro que após empreender por cinco anos eu me sentia bem perdida profissionalmente. Fui no Google e digitei: 
“Como recomeçar a vida profissional do nada depois dos 30?”
 Eu queria um botão de RESET, e sofria de ansiedade por não saber pra onde ir. Foi quando, conversando com uma amiga, que me dei conta que eu já tinha mudado de carreira/área/mercado algumas vezes, então eu ia tirar de “letra” aquela situação. E hoje, pouco mais de um ano depois, posso dizer que deu tudo certo.
Apesar de ser mais nova, a Duda também teve uma trajetória com mudanças. Ela recém tinha largado o curso de Nutrição, quando começou a trabalhar comigo. Depois de um tempo, ela mudou para Relações Públicas e hoje trabalha com comunicação.
A newsletter de hoje vai falar sobre mudança de carreira, que foi o tema escolhido por vocês no nosso Instagram (segue a gente lá!). É um tema delicado, ainda mais nesse momento de crise e incertezas que estamos vivendo no Brasil, mas espero - de verdade - que vocês consigam passar por essas mudanças com mais leveza.
Ah! É importante avisar que a news está longa, porque a gente acha que assuntos relevantes precisam ser debatidos com profundidade, tá? Mas, se você quer ir “direto ao ponto”, no final separamos links bem úteis e mais focados. 
Deb

BUSCANDO UMA SAÍDA: A IMPORTÂNCIA DE ENTENDER A SITUAÇÃO E A SI MESMA
Muitas vezes a gente quer sair da empresa onde estamos, mudar de área, tentar trabalhar em outro mercado ou “largar tudo” porque sentimos que já é a hora. Entretanto, para uma transição bem sucedida, o que eu aprendi, é que mais do que sentir que temos que mudar, é necessário entender bem as razões e os motivos por trás desse sentimento.
A primeira vez que eu quis largar a faculdade de Arquitetura foi no terceiro semestre. Mas, dizem que desistir é para os fracos, então eu fiquei lá por quatro anos e, quando realmente eu me convenci que eu era fraca, eu larguei. Sou uma fraca muito feliz e realizada
A questão é que eu sentia vontade de largar, mas não entendia exatamente o porquê eu queria mudar de rumo acadêmico e profissional. Conversando com minha terapeuta eu tive clareza para compreender que meus problemas com o curso eram a falta de perspectiva profissional e o fato de eu ser bastante medíocre na área.
Foi justamente com esse entendimento que eu optei por Relações Internacionais, que é uma área cada vez mais em ascensão, com oportunidades mil e que envolve disciplinas que eu adoro e sempre tive muita facilidade. Nessa altura do campeonato eu também queria um curso que me abrisse muitas possibilidades - e que facilitasse ir embora do país (um desejo desde adolescente), e RI se encaixava perfeitamente.
Assim, saber exatamente porque eu estava largando um curso, o que me incomodava e o que eu queria, facilitou MUITO a escolha de um novo rumo. Se você está perdida, querendo trocar de carreira, infeliz, querendo “jogar tudo pro ar”, acredite que você não está sozinha (mais da metade dos brasileiros quer trocar de trabalho!) e que existe luz no fim do túnel.
Pra mim, o que sempre funciona é buscar entender o problema ANTES de achar uma solução. Uma maneira de conhecer melhor o problema é responder essas duas perguntas:
1) O que me incomoda na situação atual?
2) O que realmente é importante pra mim agora?
Tirando condições extremas (exploração no trabalho, assédio e outros crimes que merecem um belo processo), é fundamental que você busque identificar o que incomoda. Às vezes é o chefe, às vezes é o fato de o trabalho ser muito longe e você gastar horas se locomovendo, às vezes é o fato de você não ter perspectiva de crescimento. Ainda pode ser as longas horas, as viagens seguidas, as regras incontáveis, as mudanças constantes, o salário baixo. Enfim, existem inúmeros motivos para você estar buscando uma mudança - descubra os seus e anote num papel.
A outra pergunta que devemos responder é “O que realmente é importante pra mim agora?”
É dinheiro? É impacto social? É possibilidade de aprendizado? É estabilidade? É status? É autonomia? É a cidade onde vou morar? Cada pessoa tem seus próprios valores e prioridades, sua maneira de definir o que é sucesso. Precisamos lembrar, que valores e prioridades mudam com a gente, mudam de acordo com o momento da nossa vida. Focar no momento é muito esclarecedor e alivia a pressão de fazer uma “escolha que vai mudar minha vida toda pra sempre”. Pode ser que você recém tenha se formado e queira aprender o máximo possível. Ou que você esteja buscando por mais equilíbrio, ou mais reconhecimento e autonomia. Ainda, você pode estar juntando dinheiro e, nesse caso, o retorno financeiro tem um peso ainda maior na sua decisão.
Resumindo, se você está infeliz onde está, identifique as causas e também o que te faria feliz nesse momento. Essa análise vai ser bem mais esclarecedora do que aquela de “no que eu sou boa” X “o que o mercado quer”, que é necessária, mas que simplifica nossa vida profissional e que nos leva a fazer escolhas baseadas apenas na demanda de mercado, e não naquilo que de fato importa pra gente. E sabendo o que importa e onde estamos, fica muito mais fácil saber pra onde vamos!
SABENDO PARA ONDE QUERO IR E, DE FATO CHEGANDO LÁ
Uma das minhas cenas preferidas do desenho Alice no País das Maravilhas é quando Alice está perdida e pede ajuda o Mestre Gato:
Alice: “Você pode me ajudar?”
Mestre Gato: “Para onde você quer ir?”
Alice: “Eu não sei, estou perdida.”
Mestre Gato: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.”
A análise que eu sugeri é ótima no papel, daí você descobre que seria muito feliz e realizada trabalhando com bolos artesanais. Mas, vamos imaginar que você cozinhe mal e que o mercado de bolos artesanais está saturado. Aí estão alguns erros que muitas pessoas cometem: não consideram o lado “vida real” da coisa. E a vida real acontece independente do que nosso coração quer. É lá que moram os boletos.
Uma vez entendida o “problema”, ou seja, o que nos faz querer mudar de trabalho e o que importa pra gente, é hora de buscar a solução. Mas precisamos considerar dois fatores nessa solução, um interno e outro externo. Ou seja, nós enquanto profissionais e o mercado de trabalho (ou mundo dos negócios caso você queira empreender).
A análise interna precisa levar em conta nosso perfil, nossas competências, nossas habilidades, nossas credenciais (não pode querer ser advogada sem a OAB, por exemplo). A parte das credenciais e das habilidades técnicas costuma ser mais fácil de identificar, mas você pode - e deve - pedir a opinião de quem já trabalhou com você. Já identificar nossas competências e perfil comportamental pode ser mais complicado, por isso recomendo buscar um profissional para isso, com a vantagem de ter um olhar de fora, isento.
Analisar o mercado de trabalho ou o mundo dos negócios pode ser difícil, especialmente se queremos mudar para uma área com a qual não temos muita familiaridade. Além, obviamente, da internet e de pesquisar tendências de carreiras e mercado, cabe conversar com profissionais da área e frequentar eventos. Outra ideia é procurar sites de empregos para ver as áreas que contratam, quais os profissionais mais disputados. 
Um livro excelente que me ajudou nessa análise complexa toda foi o “O design da sua vida: Como criar uma vida boa e feliz”, que, apesar do título, foca na vida profissional. Ah! Esse livro surgiu a partir de um dos cursos mais disputados de Stanford - e você consegue fazer esse curso gratuitamente online!
Ok! Agora você sabe onde está e pra onde quer ir. Mas, como chegar lá?
Obviamente essa resposta varia muito de acordo com onde é o seu “lá”.
Independente de onde seja seu “lá”, existem alguns fatores que são gerais nessa trajetória.
1) FORMAÇÃO
Nem sempre é preciso fazer uma faculdade, mas às vezes é requisito. Minha amiga Marcele queria largar a carreira de pesquisadora odontológica e virar arquiteta, daí começou a faculdade (e foi lá que nos conhecemos!). Várias carreiras requerem graduação na área para conseguir a habilitação profissional, mas nem sempre é necessário fazer uma faculdade. A Letícia, que acompanha a gente no Instagram, que sair da área de decoração de interiores para trabalhar com terapia holística, então é necessário um curso específico na área.
2) CONTATOS
Não é porque você vai mudar de carreira que perderá todo o seu networking. Aliás, sua rede pode ser muito útil nessa mudança. Quando eu quis sair de um estágio no governo estadual, foi através de um conhecido que surgiu a oportunidade de trabalhar com tecnologia. Uma boa maneira de construir uma rede é justamente nos cursos de formação que você irá fazer e também, frequentando eventos da área. A Tatiane era empreendedora na área de RH, mas topou fazer um freela de final de ano numa startup, por indicação de uma amiga, numa startup. Com o crescimento da empresa, ela virou diretora de RH e encerrou o negócio próprio.
3) DINHEIRO
Mudar envolve risco e requer energia. Dinheiro é essa fonte de energia, além de nos dar mais segurança para fazer a transição. Muitas vezes para recomeçar em uma área temos que entrar em cargos mais iniciais, ou ainda, se resolvemos empreender, ficamos com a incerteza dos ganhos. Essa análise é fundamental para que a gente faça uma mudança preparada, consciente e para que nos sintamos mais seguras ao longo do caminho. A Aroa, por exemplo, trabalhava numa agência de comunicação e queria abrir o próprio negócio. Ela e as sócias continuaram trabalhando e começaram a empreender paralelamente até o negócio crescer o suficiente e todas estarem tranquilas financeiramente para saírem de seus empregos.
4) IDENTIDADE PROFISSIONAL
Quer a gente queira ou não, todos temos uma “marca profissional”. Esse foi um ponto que veio muito à mente quando eu resolvi fechar o Jogo de Damas, em 2016. Eu não queria ser conhecida como “a mulher que trabalha com mulheres”. Eu entendia que eu era uma profissional mais completa do que apenas o tema da minha área de atuação. Daí, conversando com uma amiga RH, consegui entender qual era minha identidade profissional e ficou muito mais fácil buscar algo que se encaixava comigo. O segredo foi me identificar mais pelas minhas competências e interesses do que pelo cargo ou pelo mercado de atuação. Assim, ao invés de “fundadora do Jogo de Damas”, eu era uma profissional formada em RI, pós graduanda em negócios, especialista em desenvolvimento de projetos e negócios, com interesse em tecnologia, impacto social e gênero.
5) FAZENDO A TROCA SER MAIS NATURAL
Nem toda mudança precisa ser complexa, difícil ou demorada. Uma alternativa é fazendo pequenas mudanças ou dentro da empresa ou com áreas correlatas. A Isabela, que também comentou no nosso Insta, por exemplo, se formou em Letras e dava aulas. Depois ela foi trabalhar em uma editora e passou pra área de vendas, que é onde ela trabalha hoje. Advogada, Fernanda queria trabalhar com moda. A saída que ela encontrou foi trabalhar com consultoria de legislação trabalhista e de direitos autorais para marcas de moda e, com o tempo, ela abriu a própria loja. A Aline era professora de ciências, mas tinha experiência com o ramo da alimentação, assim foi tranquilo quando ela abriu um restaurante e largou a docência. Trabalho voluntário também é uma maneira de ganhar experiência, conhecer o mercado e fazer a mudança com mais tranquilidade - e fazendo o bem.
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ENCERRANDO
Assim, terminamos a newsletter de hoje! Adoramos construir esse conteúdo pra vocês. São horas de preparo e muita dedicação! 
Ajude a gente compartilhando com aquela amiga que não sabe se continua na empresa que está, se empreende, se faz outra faculdade…
Como sempre, aceitamos feedback, sugestões, elogios e críticas bem intencionadas.
Beijo e até segunda-feira que vem!
Deb & Duda
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Curadoria cuidadosa de Jogo de Damas® via Revue.