Ver perfil

Informativo JDL #5 - jul. 21

Informativo JDL
Informativo JDL #5 - jul. 21
Por Jornalismo, Direito e Liberdade • Edição Nº5 • Ver na web
Seja muito bem-vinde à quinta edição do Informativo JDL, a newsletter do grupo de pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade da ECA/IEA - USP! Aqui você encontra um apanhado das nossas discussões, atividades e publicações, além de dicas de leitura, eventos e outras recomendações reunidas pela curadoria esperta da nossa equipe de integrantes.
Nesta edição, compartilhamos com vocês destaques do mês de julho e os próximos eventos da nossa agenda: são os encontros Direito à Informação, Poderes e Liberdade de Imprensa em parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e a Associação Profissão Jornalista (APJor) e Estratégias Tecnológicas da Desinformação, organizado pelo grupo de Humanidades do Center for Artificial Intelligence (C4AI) e o núcleo de pesquisa Observatório da Inovação e Competitividade (OIC-IEA-USP).
Na parte cultural, materiais sobre nomes gigantes da nossa História chegam às livrarias e aos cinemas: o filme “Doutor Gama”, de Jeferson De, sobre Luiz Gama, e as biografias “Ney Matogrosso - A Biografia” e “Senhor do meu tempo”, de Ney Matogrosso e Sergio Mamberti.
Viu por aí alguma coisa interessante que se encaixa nos nossos temas? Então manda pra gente! É só responder a essa mensagem pelo seu e-mail com indicações, dúvidas, críticas e comentários!

Estamos falando sobre...
Direito à Informação, Poderes e Liberdade de Imprensa
JDL realizará em agosto um evento de três dias sobre Direito à Informação, Poderes e Liberdade de Imprensa em parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e a Associação Profissional Jornalista (APJor). A proposta é discutir temas como “O Supremo Tribunal Federal e o Direito à Informação”, “O Poder Judiciário e as Decisões Contra Jornalistas”, e “O Poder Executivo e a Liberdade de Imprensa”. O evento será marcado pelo lançamento de um dossiê do “assédio judicial” preparado pela APJor, que descreve 27 casos de ações judiciais contra 15 repórteres, e que será apresentado por Leda Beck, vice-presidente da APJor. Com datas e participantes a serem confirmados, as mesas contarão com a presença de renomados jornalistas, acadêmicos e membros do Poder Judiciário. Acompanhe nosso site para mais informações em breve.
Estratégias Tecnológicas da Desinformação
O JDL apoiará, junto com a Cátedra Oscar Sala de Internet e Governança, o evento “Estratégias Tecnológicas da Desinformação”, organizado pelo grupo de Humanidades do Center for Artificial Intelligence (C4AI) e o núcleo de pesquisa Observatório da Inovação e Competitividade (OIC-IEA-USP). A ser realizado em 19 de agosto no Instituto de Estudos Avançados da USP, o evento será mediado por Eugênio Bucci e terá exposições dos pesquisadores Miguel Lago, da School of International and Public Affairs da Universidade de Columbia e École d’Affaires Publiques de Science Po Paris, que fará exposição sobre “Como as novas estratégias tecnológicas da desinformação afetam a relação governante-governado?”, e Nina Santos, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital e Centre d'Analyse et de Recherche Interdisciplinaires sur les Médias - Université Paris II, que falará apresentará “Invisibilização como estratégia: A desinformação pode se esconder nos caminhos tecnológicos”. O evento será preparatório do Seminário Internacional Inteligência Artificial: Democracia e Impactos Sociais, a ser realizado nos dias 13 e 14 de dezembro.
O seminário sobre Direitos das plataformas digitais e disputas sobre conteúdos jornalísticos e autorais, com a presença do professor e advogado Guilherme Carboni, foi transferido para o dia 06 de outubro.
Atividades realizadas no mês de julho
O pesquisador Camilo Vannuchi lançou no último 19 dia o livro “Margarida, coragem e esperança. Os Direitos Humanos na trajetória de Margarida Genevois”. O evento teve a participação do autor e da biografada, que é símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil, além dos convidados Frei Betto, Maria Victoria Benevides, Marco Antônio Barbosa e André Liberali, e foi transmitido pelo canal da Editora Alameda.
No dia 21, a pesquisadora do JDL Nadini Lopes defendeu a tese de doutorado “Opinião de imprensa: tipologias de argumentos em editoriais do jornal O Estado de S. Paulo sobre a prefeitura de São Paulo entre 2013 e 2016”, que foi orientada pelo professor Eugênio Bucci. Durante os trabalhos da banca, a mais recente doutora de nosso grupo de pesquisa fez apresentação de seu trabalho e respondeu de forma brilhante às arguições dos professores Jorge Pedro Sousa (Universidade Fernando Pessoa, Porto), Sérgio Gadini (UEPG), Magaly Prado(JDL/ECA-USP) e Vitor Blotta (JDL/ECA-USP).
No mesmo dia 21, Anna Vitória apresentou o artigo “Potencialidades e Desafios do Uso das Mídias Sociais na Quarta Onda do Feminismo: uma análise da hashtag #primeiroassedio”, escrito em coautoria com Vitor Blotta, no 12º Seminário Internacional Fazendo Gênero.
Na academia e na imprensa
Publicações de membros do JDL
A pesquisadora Magaly Prado acaba de publicar o artigo “La credibilidad periodística en jaque: conexión entre propaganda y fake news” no número 53 da Revista Ámbitos, Revista Internacional de Comunicação. No artigo, argumenta que as técnicas de propaganda política se sofisticaram por meio da produção de fake news, o que, diante de públicos sem educação midiática e digital, acaba por descredibilizar o jornalismo.
Em grande reportagem publicada na revista Piauí, o pesquisador João Gabriel de Lima traça os caminhos de deterioração das democracias contemporâneas, que ocorrem via uma gradativa estrada de polarização e antagonismo das forças políticas, e de eclosão de regimes autoritários.
O pesquisador e vice-coordenador do JDL Bruno Paes Manso organizou o Dossiê “Segurança Pública”, no número 129 da Revista USP. Na apresentação do dossiê, Bruno destrincha junto com Luís Felipe Zilli, pesquisador do Núcleo de Estudos em Segurança Pública (NESP) da Fundação João Pinheiro, as associações perversas entre violência letal e déficits democráticos. A revista pode ser acessada aqui.
A jornalista e pesquisadora do JDL Maria Carolina Trevisan publicou no dia 30 de julho impactante matéria sobre violência sexual contra mulheres e o caso Simone Biles em sua coluna sobre direitos humanos no UOL.
Camilo Vannuchi publicou matéria em sua coluna no UOL sobre a grande queda da posição do Brasil nos rankings internacionais sobre liberdade de expressão. Ainda que a tendência de queda nesses índices seja global, o recente Relatório Global de Expressão 2020/21 da Artigo 19 mostra que a situação no Brasil é grave, com 254 violações contra jornalistas e comunicadores só em 2020. O país ocupa atualmente a 86ª posição num ranking de 161 países monitorados.
Destacamos também a coluna de Eugênio Bucci “O Ódio dos Covardes” no Estado de S. Paulo, publicada em 15 de julho de 2021, em que diagnostica as características de ódio e de ode à morte do discurso bolsonarista, e propõe como resposta a poesia e o amor, que inspiram coragem e a defesa da vida. A inspiração é da potente canção “La Guerrilla de la Concordia”, do cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, cujo vídeo você pode assistir aqui.
Novidades
Publicações recentes de referência indicadas pelo JDL
Por Artigo 19
Apenas em 2020, em meio à crise sanitária, Jair Bolsonaro emitiu 1.682 declarações falsas ou enganosas, uma média de 4,3 por dia, contribuindo para o aumento dos casos de contaminação da doença, de óbitos e causando uma crise de informação no Brasil. No ano anterior, foram cerca de 500 declarações do tipo. Os dados constam na nova edição do Relatório Global de Expressão, relatório anual da ARTIGO 19, organização não-governamental de defesa e promoção do direito à liberdade de expressão e acesso à informação em todo o mundo, lançado nesta quinta-feira (29). Segundo o documento, que reúne informações de 161 países em 25 indicadores, nos últimos cinco anos, o Brasil deixou de figurar entre os países com os melhores índices de liberdade de expressão para ser considerado uma democracia em crise. (artigo19.org)
Por Silvia Milano, Brent Mittelstadt, Sandra Wachter & Christopher Russell 
A segmentação online isola consumidores individuais, causando o que chamamos de fragmentação epistêmica. Esse fenômeno amplifica os danos da propaganda e inflige danos estruturais ao fórum público. As duas estratégias naturais para enfrentar o problema da regulação dos anúncios segmentados nas plataformas online, aumentar a conscientização dos consumidores e expandir o monitoramento proativo, são falhas porque mesmo consumidores individuais sofisticados são vulneráveis isoladamente, e o conhecimento contextual necessário para o monitoramento proativo efetivo continua largamente inacessível para plataformas e reguladores externos. As limitações tanto da conscientização dos consumidores, quanto das estratégias de monitoramento proativo podem ser atribuídas ao fato delas não se dirigirem à fragmentação epistêmica. Chamamos atenção a uma terceira possibilidade, que chamamos de modelo cívico de governança para anúncios segmentados online, que supera o problema, e também descrevemos quatro possíveis caminhos para implementar este modelo.
Por Silvia Higuera
A cobertura jornalística e as investigações sobre política, corrupção e crime organizado realizadas em pequenas e médias cidades do Brasil, Colômbia, Honduras e México foram a raiz de 139 assassinatos de profissionais da imprensa ocorridos entre 2011 e 2020 registrados pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF). De acordo com a RSF, metade dessas pessoas relatou ameaças.
As informações foram coletadas no âmbito do desenvolvimento do projeto “Baixo Risco - Análise dos programas de proteção a jornalistas na América Latina” realizado pela RSF com o apoio da Unesco por meio do Fundo Mundial de Defesa da Mídia e que conta com uma duração de 12 meses.
Agende-se!
Eventos, oportunidades, cursos e muito mais!
CHAMADA DE TRABALHOS
Envio de resumos até 10 de agosto | Pompeu Fabra organiza congresso internacional sobre imagens de poder e esfera pública | Convocatória voltada para especialistas em Cinema, Artes Visuais e pesquisadores em Comunicação Social e Política.
O evento virtual marcado para 20 e 21 de setembro pretende reunir pesquisas empíricas e abordagens teóricas que contribuam para desenvolver uma compreensão sobre formas como o poder e o espaço público são encenados, como as imagens são interpretadas pelos cidadãos e quais são os mecanismos de apropriação e reinvenção de fontes iconográficas.
Encontro da SBPJor recebe trabalhos até dia 15 | Prolongamento de prazo
Em razão do prolongamento da crise de contágio da COVID-19, o 19º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo e o 11º Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo (JPJOR) irão ocorrer de modo integralmente remoto, com apoio das tecnologias de informação e comunicação, entre 9 e 12 de novembro, tendo como tema central “Pesquisa em Jornalismo, conhecimento e resistência”.
CURSOS
Inscrições até 9 de agosto | Abraji e Transparência Internacional Brasil lançam curso sobre corrupção e crimes ambientais
Voltado para jornalistas, ativistas e membros de organizações da sociedade civil, o curso tem como foco as cadeias produtivas e crimes ambientais, bem como as técnicas de investigação jornalística e de uso de dados para detectar e enfrentar a corrupção. As aulas serão ministradas por jornalistas, gestores públicos, acadêmicos e representantes de organizações da sociedade civil, entre os dias 8 e 14 de setembro.
OPORTUNIDADES
Inscrições até dia 4 | Quarta-feira encerram inscrições para Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão
A 13ª edição do prêmio propõe aos candidatos do concurso o seguinte desafio: qual pauta pretendemos produzir para mostrar a nova cara do mundo que está diante de todos nós? Para os organizadores, jovens jornalistas devem estar atentos aos ataques a valores democráticos, à reordenação econômica mundial, à tecnologização e dataficação da experiência humana e a questões de sustentabilidade do planeta.
Na cabeceira
Nossas dicas de leitura – e do que fazer com o controle remoto
O novo filme de Jeferson De chega às salas de cinema num momento duplamente alvissareiro para a memória de seu personagem. Não apenas esta é a primeira vez que a trajetória e o legado de Luiz Gama são retratados num longa de ficção – justa homenagem apoiada em boas interpretações e conduzida pela batuta do melhor cineasta negro brasileiro de sua geração –, como Luiz Gama acaba de se tornar oficialmente doutor, graças a um título de doutor honoris causa póstumo que lhe foi atribuído em junho, pela USP. O reconhecimento foi aprovado por unanimidade no Conselho Universitário, que reconheceu a importância do advogado para a história recente do Brasil e sua excelência intelectual, também como jornalista e como escritor, republicano e abolicionista. A concessão do título foi proposta pela Escola de Comunicações e Artes, uma iniciativa do professor de jornalismo Dennis de Oliveira.
Luiz Gama nasceu livre, filho da baiana Luiza Mahin, ex-escravizada que atuou nos principais levantes de negros na Bahia, inclusive a revolta dos malês, e de um fidalgo português – que vendeu o próprio filho como escravo para saldar uma dívida de jogo. Alfabetizado aos 17 anos, conseguiu provar na justiça sua origem livre, o que tornava ilegal sua escravização, e conquistou sua liberdade, passando a frequentar o entorno da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e estagiando numa banca de advocacia. Recentemente, Luiz Gama – que exerceu a advocacia e libertou mais de 500 pessoas escravizadas na segunda metade do século XIX sem ter se graduado, uma vez que a Faculdade de Direito lhe recusou a matrícula em razão de sua cor – foi reconhecido como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2015, e declarado patrono da abolição da escravidão no País, em 2018. Abolição que ele não chegou a testemunhar, tendo falecido em 1982, aos 52 anos.
“Conhecendo a trajetória de Luiz Gama, eu me perguntava: por que ninguém fez um filme sobre ele?”, diz o cineasta Jeferson De. “Bom, nós fizemos. Demos o primeiro passo no audiovisual para que os cidadãos brasileiros tenham contato com sua vida e sua obra”.
Biógrafo experiente e prolífico, autor de uma das mais robustas biografias de Elis Regina, o jornalista Julio Maria acaba de lançar um livro sobre Ney Matogrosso, um dos cantores mais fascinantes da MPB. O volume é resultado de cinco anos de trabalho que lhe renderam histórias memoráveis e episódios valiosos, como conferir o ritual do Daime onde Ney fez sua iniciação, décadas atrás. Toda a genialidade e a ousadia do controvertido showman mato-grossense que soube conquistar público e crítica desde que despontou no cenário roqueiro dos anos 1970 com o subversivo Secos & Molhados – Jurei mentiras e sigo sozinho / assumo os pecados… – estão neste lançamento da Companhia das Letras. 
Raios e trovões! Conhecido pelos jovens leitores das gerações Z e millennials por sua impagável interpretação do Dr. Victor Stradivarius no infantil Castelo Rá-Tim-Bum (TV Cultura), Sérgio Mamberti acaba de nos legar uma autobiografia fantástica, engajada e ricamente ilustrada. Estão ali fotografias do ator em ação nos anos 1960 e 1970, nos palcos ou na TV. Também estão ali histórias saborosas de bastidores, como a ocasião em que ele e Paulo Villaça se machucaram de verdade nas cenas de Navalha na Carne (1967) e a vez em que contracenou com Paulo Autran na peça O Tartufo (1985) e acabou roubando a cena. Homem de teatro e também da política, Mamberti não tergiversa ao narrar sua relação de quatro décadas com o Partido dos Trabalhadores nem sua temporada em Brasília, desde quando assumiu a Secretaria de Música e Artes Cênicas do Ministério da Cultura, comandado por Gilberto Gil no Governo Lula, até o desfecho trágico da pasta no governo Dilma – que já começou atabalhoado, segundo o autor, e piorou a olhos vistos rumo à cassação.
A intimidade, o casamento com Vivian, sua morte precoce, aos 37 anos, legando a Mamberti a tarefa de terminar de criar os três filhos, e também o encontro com Ednardo, seu marido pelos 37 anos seguintes, de quem também ficou viúvo, está tudo na autobiografia. O livro tem o condão de nos lembrar, a cada capítulo, as razões que fazem de Sérgio Mamberti, 82, um gigante. 
Contate-nos!
Gostou da nossa newsletter? Então se inscreva no link e receba nossas próximas edições direto na sua caixa de entrada. Aproveite para encaminhar esta edição a quem possa se interessar também.
Tem alguma dúvida, crítica ou sugestão? Basta responder a esta mensagem como um email normal e falar com a gente. Você também pode entrar em contato direto pelo email jordirlibnews@gmail.com.
Conheça mais sobre o JDL em nosso site oficial, e em nossa página no site do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP.
Agradecemos pela leitura e nos vemos na próxima edição!
Curtiu essa edição?
Jornalismo, Direito e Liberdade

Jornalismo, Direito e Liberdade (JDL) é um grupo de pesquisa que lida com problemas em torno do jornalismo e das liberdades e direitos de informação e comunicação vinculado à Escola de Comunicações e Artes e ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

Assine nossa newsletter e receba direto na sua caixa de entrada um apanhado sobre nossas discussões e publicações recentes, eventos e dicas de leitura para encarar os desafios do tempo presente.

Para cancelar sua inscrição, clique aqui.
Se você recebeu essa newsletter de alguém e curtiu, você pode assinar aqui.
Curadoria cuidadosa de Jornalismo, Direito e Liberdade via Revue.
Grupo de pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade - ECA/IEA USP