Ver perfil

Informativo JDL#4 - jun. 21

Informativo JDL
Informativo JDL#4 - jun. 21
Por Jornalismo, Direito e Liberdade • Edição Nº4 • Ver na web
Olá!
Seja muito bem-vinde à segunda edição do Informativo JDL, a newsletter do grupo de pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade da ECA/IEA - USP! Aqui você encontra um apanhado das nossas discussões, atividade e publicações, além de dicas de leitura, eventos e outras recomendações reunidas pela curadoria esperta da nossa equipe de integrantes.
Nesta edição, compartilhamos com vocês destaques do mês de junho, apresentamos o tema de nosso próximo seminário, Direitos das plataformas digitais e disputas sobre conteúdos jornalísticos e autorais, e indicamos leituras como Racismo Estrutural, novo livro de Dennis de Oliveira, professor de jornalismo e coordenador do Centro de Estudos Latinoamericanos de Comunicação e Cultura (CELACC) na Escola de Comunicações e Artes da USP.
Viu por aí alguma coisa interessante que se encaixa nos nossos temas? Então manda pra gente! É só responder a essa mensagem pelo seu email com indicações, dúvidas, críticas e comentários!

Estamos falando sobre...
Embate publishers vs platforms
Devem as plataformas pagar pela circulação de conteúdos jornalísticos? Ou o incentivo à informação de qualidade e ao jornalismo profissional por meio de parcerias seria suficiente para as plataformas fortalecerem a esfera pública democrática? Como devem os jornais e outros canais de mídia se relacionar com as mídias sociais? No próximo dia 11 de agosto faremos um seminário especial sobre Direitos das plataformas digitais e disputas sobre conteúdos jornalísticos e autorais. Nosso convidado será o advogado especialista em direitos autorais e professor da FGV Law Guilherme Carboni, que tem reconhecida experiência prática e acadêmica em temas como direito das plataformas digitais, direitos autorais e inteligência artificial e função social da propriedade intelectual.
Lançamento
No dia 19 de julho, às 17h, o jornalista e escritor Camilo Vannuchi, membro do JDL, fará o lançamento virtual de seu novo livro, “Margarida, coragem e esperança: os direitos humanos na trajetória de Margarida Genevois” (Ed. Alameda, R$ 60). O evento será transmitido pelo YouTube da editora. Além do biógrafo e da biografada, participarão do bate-papo o escritor Frei Betto, autor das orelhas do livro, a cientista política Maria Victoria Benevides, autora do prefácio, e outros convidados. Aos 98 anos, Margarida Genevois é presidente de honra da Comissão Arns e um dos nomes mais importantes do país na defesa dos direitos humanos.
Atividades realizadas no mês de junho
No último dia 02 realizamos seminário sobre Direito à Informação, Mídias digitais e Poder Público, com a presença do advogado e pesquisador Caio Vieira Machado, do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT). A apresentação e o debate trouxeram diversas questões e caminhos para pesquisas e políticas públicas, como as tensões entre público e privado na internet, quais os sujeitos, os conteúdos e os espaços utilizados pela comunicação feita por agentes públicos, além de problemas como a proteção de dados e o direito dos cidadãos de conhecer os algoritmos e as decisões automatizadas por empresas com base em seus dados. O vídeo do seminário pode ser conferido no canal do JDL no Youtube.
Nosso canal também reproduziu ao vivo o lançamento do livro A Superindústria do Imaginário, do professor Eugênio Bucci, um dos fundadores do JDL. O evento ocorreu no último dia 25, e contou com a mediação do professor Ricardo Musse e os comentários e debates de Fernando Haddad. Sobre a obra comentamos no tópico a seguir.
Outra produção de nosso canal foi a primeira parte de uma série de resumos que publicaremos da palestra do professor Ciro Marcondes Filho, realizada em seminário de maio de 2020 com o JDL. No vídeo editado por Lana Canepa, nosso saudoso Mestre da Filosofia e da Comunicação nos ilumina sobre problemas como o papel da comunicação e das pesquisas sobre comunicação diante das tendências atuais de desinformação e uso de big data para manipulação da opinião pública.
Na academia e na imprensa
Publicações do JDL 
Neste mês damos grande destaque ao novo livro de Eugênio Bucci, A Superindústria do Imaginário: como o capital transformou o olhar em trabalho e se apropriou de tudo que é visível.
A obra sintetiza mais de 20 anos de trabalho do professor titular da ECA-USP em seu esforço de interpretar a fase atual do capitalismo e suas relações com a comunicação, por meio de incursões teóricas nas áreas da linguagem, do direito e da psicanálise, e claro, da economia e da comunicação. Esse esforço teve um primeiro marco quando Bucci publicou sua tese de doutorado “Televisão Objeto: a Crítica e suas Questões de Método”, defendida na ECA-USP em 2002 sob a orientação da professora Dulcília Buitoni. A obra atual revisita os conceitos formulados na tese, como a instância da imagem ao vivo, o telespaço público e o valor de gozo, e os atualiza a partir da hegemonia alcançada pelas grandes empresas de tecnologia digital, o que denota uma nova fase do capitalismo.
O argumento central de Bucci é que embora já trouxesse sinais a partir da tese da fetichização da mercadoria de Marx, o domínio das empresas de tecnologia sobre a economia mundial mostram que a dimensão simbólica dos bens e serviços que circulam na economia, na política e na sociedade finalmente se tornaram os principais motores da valorização do capital. Contudo, essa dimensão simbólica não se resume aos valores de representação, de status social ou de poder de que se revestem as mercadorias em suas relações com as pessoas, mas tem uma operação mais profunda. Primeiramente, essas empresas lidam com o processamento dos dados pessoais e o monitoramento não esclarecido dos comportamentos cotidianos dos usuários das mídias digitais, de modo a capturar verbas publicitárias cada vez maiores, com a promessa de saber mais sobre as pessoas do que elas mesmas. Em segundo lugar, é da ordem do desejo o processo de valorização das mercadorias atuais, capturando as pessoas não “pelas costas”, como diria Marx, mas pelo seu inconsciente, que é sempre insatisfeito e sedento por identificação. A economia política que opera esse mecanismo é a da Superindústria do Imaginário.
Como escapar dela? É possível regulá-la? Quais forças são capazes de fazer frente a esse “diagnóstico de uma grande injustiça”? Assim uma vez interpelei o professor Eugênio, quando ainda era seu aluno.
Trata-se de uma obra de maturidade, com grande fôlego teórico, e que certamente será objeto de grandes discussões não só nas áreas da comunicação, mas também da economia, do direito, e também das ciências da computação. É o que nos propomos a fazer a partir de agora e durante os próximos anos.
por Vitor Blotta
Novidades
Publicações recentes de referência indicadas pelo JDL
Por Paul Levinson
Episódio 183 do podcast Light On Light Through, em que Paul Levinson fala a respeito da decisão da Suprema Corte dos EUA a respeito do direito do aluno à liberdade de expressão nas redes sociais.
Por Amber Berson, Monika Sengul-Jones and Melissa Tamani
This project used an intersectional feminist methodology to address how Wikipedia trainers involved in the Art+Feminism movement approach the reliable source guidelines in French, English and Spanish Wikipedias. This rigorous analysis ends with recommendations for more inclusive and diverse Wikipedias.
The Internet and the media landscape are broken. The dominant commercial Internet platforms endanger democracy. Despite all the great opportunities the Internet has offered to society and individuals, the digital giants have acquired unparalleled economic, political and cultural power. As currently organized, the Internet separates and divides instead of creating common spaces for negotiating difference and disagreement. Democracy requires Public Service Media and a Public Service Internet.
Por Patrícia Campos Mello
“Como salvar o jornalismo em tempos de mentiras” foi o tema da palestra de Patrícia Campos Mello na edição de 2021 da Reuteurs Memorial Lecture. A transcrição da fala está disponível em inglês.
Professional journalism is one of the last barriers against the collapse of democracy in Brazil and in many other countries struggling with an avalanche of lies. Meticulously checked information, careful and balanced reporting, and in-depth investigations are the only hope to bring back reality to many countries where facts became malleable and often secondary to opinions and beliefs.
Agende-se!
Eventos, oportunidades, cursos e muito mais!
CHAMADA DE TRABALHOS
Anticiência, teorias conspiratórias e negacionismo | 20 de julho
Até 20 de julho, a revista do Programa de Pós-Graduação Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF) recebe produções para preparar o dossiê “A informação e o mal: disputas éticas, políticas e epistemológicas da Comunicação em tempos extremos”. A edição aborda a desinformação dentro do contexto de um ecossistema informacional inédito e imprevisto, incluindo recursos de vigilância e mineração de dados de populações inteiras. Editam o número, Marco Schneider (UFF e IBICT), Marco Antônio Bonetti (UFJF) e Rogério Christofoletti (UFSC; objETHOS).
Dossiê sobre telas na pandemia | 15 de agosto
Até 15 de agosto, a revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM/UFJF) recebe artigos sobre o protagonismo assumido pelo jornalismo e produtos audiovisuais consumidos durante a crise sanitária global. Editores estimulam colaboradores a refletirem, por exemplo, sobre materialidades audiovisuais no contexto de permanência ou transitoriedade em um horizonte futuro e desejado, pós-pandemia. 
Concentração na internet e regulação | 20 de agosto
Até 20 de agosto, revista vinculada à Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) convida autores a enviar trabalhos sobre os impactos e as possibilidades de superação da concentração na internet por meio de regulações e práticas contra-hegemônicas. São bem-vindos artigos que abordem temas como desafios para a liberdade de expressão, moderação algorítmica e intervenção humana, práticas de zero-rating, direitos de usuários(as), termos e condições de uso.
OPORTUNIDADES
Prêmio Adelmo Genro Filho | 4 de julho
Criado em 2004 pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), o Prêmio Adelmo Genro Filho busca valorizar de forma individual as contribuições relevantes para o campo da pesquisa em jornalismo. Podem concorrer ao PAGF os trabalhos defendidos de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2020 nas categorias Iniciação Científica/TCC, Mestrado, Doutorado e Pesquisa Aplicada (melhor produto/projeto caracterizado como de aplicação e de utilidade à prática cotidiana do Jornalismo).
Prêmio Gabo | 15 de julho
A Fundação Gabo, instituição criada em 1995 pelo jornalista e Nobel de literatura colombiano Gabriel García Márquez, abriu inscrições para a nona edição do Prêmio Gabo, uma das premiações mais importantes do jornalismo em espanhol e em português. Nas oito edições anteriores, o Prêmio recebeu 12.170 trabalhos de 34 países e premiou 47 vencedores, segundo valores de excelência, coerência ética, inovação e rigor com os fatos. A láurea vai entregar em torno de US$ 55 mil entre os vencedores e finalistas das quatro categorias da premiação. 
Bolsa de pós-doutorado em Inteligência Artificial, Ética e o Futuro do Trabalho | Até 15 de agosto de 2021
Centro de Inteligência Artificial (Center for Artificial Intelligence – C4AI) tem o compromisso de desenvolver pesquisas no estado da arte em Inteligência Artificial explorando tanto aspectos básicos quanto aplicados nesta área. O C4AI também desenvolve estudos sobre o impacto social e econômico da IA e conduz atividades de disseminação de conhecimento e transferência de tecnologia, procurando formas de melhorar a qualidade de vida humana e incrementar diversidade e inclusão.
Na cabeceira
Nossas dicas de leitura – e do que fazer com o controle remoto
“Colônia” é uma série em dez episódios, livremente inspirada no livro-reportagem “Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex (Geração, 2013), que narrou a assombrosa história do hospício Colônia, em Minas Gerais, onde mais de 60 mil pessoas podem ter sido abandonadas para morrer ao longo dos cem anos de existência da instituição. Mais do que uma unidade de tratamento de pacientes com transtornos mentais, o local funcionou também como uma área destinada à internação forçada, ao desterro e ao esquecimento de pessoas indesejadas (por suas famílias ou pela sociedade), incluindo homossexuais e jovens que engravidavam fora do casamento, “desonrando” os pais, como é o caso da protagonista da série.
Na trama, Elisa (Fernanda Marques) é enviada para a Colônia pelo pai, enfurecido ao descobrir que a filha engravidara de um namorado, arruinando seus planos de casá-la com um fazendeiro rico. No local, Elisa vai descobrir que muitos outros internos também não padecem de nenhum distúrbio psíquico, mas estão ali, como ela, submetidos a medicação controlada, choques elétricos, comida de péssima qualidade e instalações precárias, graças ao arbítrio, ao autoritarismo e à corrupção. O tempo da narrativa é a década de 1970, sob regime militar. No elenco, destaque para a atriz Andréia Horta, mineira de Juiz de Fora, que protagonizou a cinebiografia de Elis Regina em 2016. A série foi toda gravada em preto e branco e está em cartaz no Canal Brasil, sempre às sextas-feiras às 21h. Também pode ser vista, sob demanda, no GloboPlay (confira a disponibilidade conforme a categoria do seu plano). 
O cerceamento da liberdade de imprensa e a violência praticada contra os jornalistas estão no cerne deste longa de ficção dirigido por Niels Arden Oplev, de “A garota com tatuagem de dragão” (2009). O filme é baseado na história real do fotógrafo dinamarquês Daniel Rye, sequestrado pelo Estado Islâmico ao tentar cobrir a rotina da população sob guerra civil na Síria, em 2013. Em cativeiro, o jovem Daniel é submetido a uma violenta rotina de torturas e privações enquanto sua família, na Europa, trava uma desesperada campanha para conseguir o dinheiro exigido como resgate (o Estado dinamarquês se recusa a negociar com sequestradores e a pagar por sua liberdade).  
O longa estreou em 2019 e pode ser assistido online em plataformas de vídeo sob demanda.
As diferenças entre racismo, preconceito e discriminação; um histórico dos movimentos sociais dedicados ao combate ao racismo e uma reflexão sobre as possibilidades para superá-lo, inclusive por meio de ações institucionais e legais, estão neste lançamento da Editora Dandara. O conteúdo foi inspirado em curso oferecido pelo autor, no ano passado, na plataforma Fórum Educação, ligada ao Portal Fórum.
Dennis de Oliveira é professor do Departamento de Jornalismo e Editoração e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Popular e Alternativo (Alterjor) na Escola de Comunicações e Artes. É também coordenador do Centro de Estudos Latino-Americanos de Cultura e Comunicação (CELACC) e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro (Neinb), todos da USP.
Contate-nos!
Gostou da nossa newsletter? Então se inscreva no link e receba nossas próximas edições direto na sua caixa de entrada. Aproveite para encaminhar esta edição a quem possa se interessar também.
Tem alguma dúvida, crítica ou sugestão? Basta responder a esta mensagem como um email normal e falar com a gente. Você também pode entrar em contato direto pelo email jordirlibnews@gmail.com.
Conheça mais sobre o JDL em nosso site oficial, e em nossa página no site do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP.
Agradecemos pela leitura e nos vemos na próxima edição!
Curtiu essa edição?
Jornalismo, Direito e Liberdade

Jornalismo, Direito e Liberdade (JDL) é um grupo de pesquisa que lida com problemas em torno do jornalismo e das liberdades e direitos de informação e comunicação vinculado à Escola de Comunicações e Artes e ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

Assine nossa newsletter e receba direto na sua caixa de entrada um apanhado sobre nossas discussões e publicações recentes, eventos e dicas de leitura para encarar os desafios do tempo presente.

Para cancelar sua inscrição, clique aqui.
Se você recebeu essa newsletter de alguém e curtiu, você pode assinar aqui.
Curadoria cuidadosa de Jornalismo, Direito e Liberdade via Revue.
Grupo de pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade - ECA/IEA USP