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Por Fernando Moreira

pensamentos furiosos - nº 47 - Diz “vai à merda” ao ASAP

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pensamentos furiosos

8 de Agosto · Edição Nº46 · Ver na web

newsfeed com as últimas coisas que ando a ler, intuir, pensar e fazer


Diz “vai à merda” ao ASAP
Se existe algo que me faz ficar furioso é receber e-mails com “ASAP” ou “Urgente” no assunto.
Quando tudo é ASAP ou urgente, tudo deixa de ser ASAP ou urgente. Tudo deixa de ser ASAP ou urgente, tal e qual como na história do Pedro e do lobo:
Há muito, muito tempo, havia um pequeno pastor que se chamava Pedro e que cuidava das suas ovelhas nos campos de pasto dos arredores da aldeia. Todas as manhãs, muito cedo, o pastor saía com o seu rebanho para a pradaria e ali passava horas e horas. Muitas vezes, enquanto via as suas ovelhas a comer, Pedro punha-se a imaginar coisas e a pensar no que poderia fazer para se entreter e fazer as horas passarem mais depressa. Um belo dia, o pastorzinho, farto de contemplar as ovelhas, decidiu que seria divertido gozar um bocado com as pessoas da aldeia. Aproximou-se do povoado e começou a gritar:
- Socorro, socorro! Vem aí o lobo, socorro!!!!
Ao ouvir os pedidos de socorro do pastor, os habitantes da aldeia largaram tudo o que estavam a fazer e correram em auxílio do pequeno. No entanto, quando lá chegaram, deram conta de que se tratava de uma partida de Pedro, que ria às gargalhadas. Os aldeões ficaram muito aborrecidos e decidiram regressar às suas casas. Assim que foram embora, Pedro decidiu gritar de novo:
- Socorro, socorro! Vem aí o lobo, socorro!!!!
Desta vez, as pessoas acreditaram que era verdade e que, perante o lobo feroz, o pobre Pedro iria precisar de ajuda. Mas, ao chegar perto dele, foram encontrá-lo novamente a rir a bandeiras despregadas. Desta vez os aldeões aborreceram-se ainda mais e foram embora mesmo zangados.
Na manhã seguinte, Pedro levou novamente as suas ovelhas para o mesmo pasto e ainda se ria ao recordar o que tinha acontecido no dia anterior. Não se sentia nada arrependido. Mergulhado nos seus pensamentos, Pedro nem se deu conta de que um lobo se aproximava. Quando deu meia-volta e deparou com ele, o medo invadiu o seu corpo. Ao ver que o animal se aproximava mais e mais, começou a gritar, desesperado:
- Socorro, socorro! Vem aí o lobo, socorro!!!! Vai devorar todas as ovelhas, socorro!!!
Mas, desta vez, os seus gritos foram em vão. Os camponeses não acreditaram em Pedro e não o foram ajudar. O infeliz pastorzinho ficou a ver como o lobo atacava as suas ovelhas, enquanto continuava a pedir auxílio, gritando uma e outra vez:
- Socorro, socorro! O lobo, socorro!!!!
Os aldeões continuaram a fazer orelhas moucas, enquanto o pastor via o lobo a comer as ovelhas. Então, Pedro deu-se conta de que tinha sido muito injusto para com os habitantes da aldeia e, apesar de ser tarde de mais, arrependeu-se profundamente e nunca mais voltou a mentir nem a aldrabar os outros.
Vai à merda, ASAP. Porquê? Porque já sabemos. Toda a gente quer as coisas bem feitas o mais depressa possível.
O desafio aqui é perceber que o ASAP traz esta conotação ansiosa e inflacionária. A melhor forma de lidar com ele? É começar a dizer não.
Quando começamos a dizer não, percebemos que a maioria das coisas não eram assim tão urgentes ou que, se não forem feitas, ninguém morre. Além disso, a pessoa que acrescenta ASAP a tudo perde credibilidade nos seus pedidos, como nos ensina a história do Pedro e do lobo.
ASAP só cria ansiedade artificial que leva a ataques de pânico ou coisas piores. Devemos apenas usar estes termos quando os lobos estiverem mesmo a comer as nossas ovelhas. Aí, sim, até podemos usar calão mais forte do que ASAP. 

Decisões que andamos a tomar:
Esperar por inspiração é para tótos. Inspira e começa. 
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o que ando a ler:
The 1-Page Marketing Plan by Allan Dib
The 1-Page Marketing Plan by Allan Dib
The 1-Page Marketing Plan: Get New Customers, Make More Money, And Stand out From The Crowd
To build a successful business, you need to stop doing random acts of marketing and start following a reliable plan for rapid business growth. Traditionally, creating a marketing plan has been a difficult and time-consuming process, which is why it often doesn’t get done.
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o que ando a intuir:
Procrastinar não faz mal 
Os gregos e romanos sabiam que a procrastinação não era uma coisa terrível. Pelo contrário, eles acreditavam que a procrastinação era o caminho a seguir: não faças nada a menos que tenhas mesmo de o fazer. A procrastinação só se tornou o vilão quando os puritanos tomaram posse da ideia de “ética de trabalho”. Mas acho que é hora de restaurar a gloriosa história da procrastinação. É uma parte importante do processo de trabalho. Por exemplo, quando se senta para escrever, o ponteiro a piscar não ajuda a reforçar a sua confiança ou a fazer os sumos criativos fluírem. O envolvimento ativo noutras atividades ajuda a estimular o cérebro. Então, a procrastinação não é prejudicial – exatamente o oposto. Precisamos desse tempo de não-atenção para fornecer conteúdo convincente e forte. Talvez até tenha adiado qualquer coisa ao ler este capítulo. Acredite, eu entendo. E não faz mal.
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o que ando a fazer:
Escrever. Na próxima newsfeed partilho contigo.
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extras:
Continuous marketing improvement: the key for project growth - Angry Ventures
When You Have No Idea What Happens Next · Collaborative Fund
The job landing secret sauce - Angry Ventures
Burnout: how to avoid it through self-consciousness - Angry Ventures
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E, como sempre, todo o feedback será bem vindo! Esta newsfeed é bastante mais densa. Gostava de saber o teu feedback. Que ponto gostaste mais? Que ponto gostaste menos? Do que discordas? Faz “Responder” e continuamos a partir daí a conversa!
Um forte abraço,
F
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