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Uma Fake News Vista por Dentro; A Ciranda da Justiça; Não Havia Ameaça Comunista em 1964?

Boletim do Cesar
Uma Fake News Vista por Dentro; A Ciranda da Justiça; Não Havia Ameaça Comunista em 1964?
Por Cesar Nascimento • Edição Nº4 • Ver na web
Nesta edição de Fuga para a Realidade mostro como se cria fake news a partir de dados verdadeiros, interpretação distorcida e inferências falsas; comento a recente decisão do STF de declarar Sergio Moro suspeito no caso do triplex do Lula; argumento que Brasília é prova de que o comunismo era mais que uma ameaça em 1964.

Uma Fake News Vista Por Dentro
Época chama despachante de lobista, com base em interpretação falaciosa de informações fornecidas pelo MRE.
A revista Época publicou, na coluna de Guilherme Amado, reportagem que afirma que “lobista da Taurus já esteve no Itamaraty sete vezes em 2021”. A peça foi feita com base em informações transmitidas pelo Ministério das Relações Exteriores à deputada Talíria Petrone (PSOL), que foram objeto do Requerimento de Informação da Câmara dos Deputados (RIC) 219/2021.
Onde estão as agências de checagem?
Onde estão as agências de checagem?
Segundo a reportagem, “Rafael Mendes de Queiroz, lobista da Taurus e da Companhia Brasileira de Cartuchos, já esteve pelo menos sete vezes no Itamaraty em 2021 para reuniões no ministério” [Grifo meu]. De fato, os registros de entrada e saída do prédio mostram que Rafael de Queiroz esteve na sede do MRE nas datas mencionadas na reportagem: em 4, 9 e 18 de fevereiro, e em 5, 8, 11 e 18 de março, conforme informado pelo Itamaraty em resposta ao requerimento da deputada. A reportagem não informa, no entanto, que as durações de cada uma dessas visitas, incluindo o percurso da portaria ao destino e de volta à portaria, foram, respectivamente, 8 minutos, 6 minutos, 6 minutos, 6 minutos, 7 minutos, 11 minutos e 5 minutos. Os horários de entrada e saída foram informados pelo MRE em sua resposta ao requerimento de informação.
O suposto lobista entrou e saiu tão rápido do prédio por uma razão simples: não houve reunião alguma. Trata-se, na verdade, de representante da empresa que vai regularmente ao Itamaraty levar documentos relacionados a processos de exportação. Entra, entrega, e sai. A resposta do MRE não detalha a razão das visitas, o que ficou a cargo da imaginação dos jornalistas, e o nome de Rafael de Queiroz só foi incluído por ter sido expressamente enumerado no requerimento da deputada Petrone.
A notícia de que ele participou de “reuniões no ministério” foi inteiramente fabricada. Dizer que esteve lá para fazer lobby é mentira. 
*Versão expandida desse artigo, contendo documentação e informações adicionais, será publicada nos próximos dias em Defesa do Real. 
A Ciranda da Justiça Brasileira
A Suspeição de Sergio Moro, ou quem é culpado, quem, inocente?
Nesta altura dos acontecimentos, ninguém ficou surpreso com a confirmação, pelo STF, da suspeição de Sergio Moro no caso do triplex de Lula. A mesma Corte já havia declarado inválido o processo, por tecnicalidade ligada à jurisdição em que foi originalmente julgado. “Incompetência territorial” é o nome em juridiquês. E não nos esqueçamos do vai e vem da prisão em segunda instância, que ora vale, ora não vale, desde há muito tempo.
Ao leigo, como eu, tudo parece uma enorme confusão, mas é possível distinguir alguma forma através da neblina. Se a condenação em segunda instância não é mais suficiente para execução da pena, isso vale para todo mundo. Se o problema é incompetência territorial, o processo não valeu, anula-se a condenação, mas o réu não foi propriamente inocentado. Ainda pode ser julgado de novo. Agora, se o juiz é declarado suspeito, o edifício condenatório desmorona, e o réu é exonerado de culpa nos processos julgados por aquele juiz. E mais: como destaca a Folha, “a declaração da suspeição tem como consequência a anulação das provas colhidas naquele processo”. Ou seja, as provas já produzidas não valem mais nada.
Sempre houve no Brasil um grande desconhecimento das tecnicalidades jurídicas que levam um indivíduo a ser condenado ou absolvido pela Justiça. A única coisa que todo brasileiro entende é que aqui vige o in dubio pro corrupto. Ninguém mais se espanta com isso. O que causa apreensão agora, hoje, é que parecemos estar entrando numa era em que o acusador é considerado criminoso e propaga-se a doutrina de que o processo é a causa do dano. Não me refiro ao Lula. É maior que isso. Não apenas foi Sergio Moro declarado suspeito como apareceu gente graúda afirmando que o que realmente prejudicou o país foi a atuação da Lava Jato contra a corrupção. Apertemos os cintos. Assim chegaremos com rapidez ao precipício.
O Espectro do Comunismo em 1964
Por que o comunismo no Brasil era mais que uma ameaça?
Uma cidade como milhares de outras planejadas por comunistas
Uma cidade como milhares de outras planejadas por comunistas
Quem visita os países do antigo bloco comunista na Europa não deixa de se impressionar com a semelhança de vários de seus bairros residenciais com as superquadras de Brasília, com a UNB, com a UFRJ. Os caixotes de concreto que dominam nossa capital não têm esse aspecto embrutecido e deprimente por acaso. Sua arquitetura — e o urbanismo das superquadras — são espelhos do que se fazia naquela época, do lado de lá da Cortina de Ferro. Na União Soviética e em seus satélites, cidades inteiras foram erguidas sob a mesma concepção opressora. Os blocos residenciais que dominam as áreas assim urbanizadas têm até um nome, Khrushchyovkas, em ‘homenagem’ a Nikita Khrushchev, que era primeiro-secretário do Partido Comunista quando essa urbanização medonha se expandiu.
Hoje, passado muito tempo, alguns tentam nos convencer de que não havia uma ameaça comunista no Brasil. Estávamos no auge da Guerra Fria, o comunismo ameaçava o mundo inteiro, mas o Brasil, não. Nada com que se preocupar. Havíamos acabado de erguer uma nova capital inteira à semelhança de um subúrbio de Kiev, mas os comunistas nem se interessavam de infiltrar-se aqui. Não é preciso destacar que muitos dos que propagam essa ideia revisionista tenham sido comunistas naqueles tempos, alguns inclusive com participação ativa nos tristes eventos que se seguiram. A maior parte, no entanto, são só os tolos de cada geração, que ser renovam e multiplicam em todas as épocas.
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Cesar Nascimento

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Curadoria cuidadosa de Cesar Nascimento via Revue.