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Volta ao Mundo em 80 Socos - Austrália e o capítulo de Melbourne e as pequenas alegrias

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Volta ao Mundo em 80 Socos

April 9 · Issue #6 · View online

Um casal meio perdido saiu por aí e agora está jogado pelo mundo. Relatos do mais desajustado da dupla.


Esse relato cobre os eventos de 23/02/2019 a 02/03/2019
Olá exploradores do sinistro e do macabro, venho mais uma vez com a dose (quase) semanal de escuridão que tanto gostam. Na verdade é mais um capítulo em que descrevo experiências incríveis que estamos tendo ao redor do mundo, então talvez eu devesse parar de tentar dar essa aura fúnebre ao começo de cada relato. Ou não. Vocês não sabem o que se passa nessa alma escura que tenho. 
Porém mais negra que minha alma só a realidade de quem tá no Brasil agora, por isso boa sorte aí.
Como de praxe esse texto começa exatamente onde terminei o último relato, ou seja, estávamos prestes a começar (mais) uma maratona de deslocamentos para sair das Filipinas em direção a Melbourne, Austrália.
Farei um breve resumo de nossa jornada, pois vocês não merecem mais uma descrição detalhada de voos e horários.
Acordamos cedo em Malapascua, pegamos a balsa, chegamos no porto de Maia e já embarcamos em um ônibus (que tinha todos os últimos lançamentos do The Rock na sua televisão a bordo) para Cebu City. Cerca de 4 horas depois chegamos àquela triste desculpa para uma cidade. Enrolamos em um shopping e fomos pro aeroporto. Lá esperamos por 10 horas até nosso voo que partia às 23h. Pelo menos terminamos de ver Russian Doll sentados nas duras cadeiras de um saguão esquecido pelo mundo. Voamos de Cebu para Manila, onde chegamos à 1 da madrugada. Demos aquela passeada pelo aeroporto até o check-in abrir, nosso avião para Melbourne partiria 6 horas da manhã. E após longa espera embarcamos em um voo de 9 horas, SEM NENHUM LANCHE OU COMIDA, até a Austrália. Vou repetir aqui porque foi complicado - nem água eles serviam. Quer dizer, serviam, mas tinha que pagar. Tenho uma relação de amor e ódio com essas cia aéreas low cost.
Mas no fim do dia 23 chegamos. Ufa. E após mais um pequeno passeio pelos transportes australianos, onde já pudemos notar a diferença entre continentes, finalmente chegamos na casa de nossos amigos, nosso destino pela próxima semana.
Antes de falar do nosso tempo preguiça, apenas uma observação de que foi estranho sair da Ásia e chegar em um país sem asiáticos sendo a maioria no cotidiano. Não que isso seja bom ou ruim. Quis dizer que foi uma mudança súbita de parâmetros quando já estávamos acostumado com a Ásia e, principalmente, com o sudeste Asiático. Por exemplo, ver pessoas brancas trabalhando no “dia a dia” foi peculiar. Mudou o rosto da mão de obra, mudou tudo. Foi a primeira vez em nossa viagem, fora alguns dias na Rússia, que uma mudança tão grande de “ares” aconteceu. 
E agora uma pausa para agradecer com entusiasmo demasiado a Clarissa e o João, nossos anfitriões na cidade. Primeiro porque receberam dois cacos humanos com uma lasanha quase melhor que a que minha avó fazia (e ela era italiana, de verdade, do tipo que nasceu na Itália mesmo), segundo por nos fazerem sentir em casa.
Quase todo nosso tempo em Melbourne aconteceu no apartamento desse casal supimpa, que, como já disse, nos receberam muito bem. Quem diria, a Clarissa, uma conhecida de Itu (pra mim) e alguém com uma amizade do tipo “amiga da amiga” (para Má), agora teria esse momento de conexão forte conosco. Bom, quem eu estou tentando enganar, a conexão dela é com a Marina, eu já não tenho mais o traquejo social para “ser gostado”. Mas o ponto é: a vida é engraçada e imprevisível, algumas vezes de uma forma boa. Mas só de vez em quando.
Enfim, Melbourne. Que cidade, que tempo gostoso. Uma cidade com outro ritmo, mas que funciona. E como funciona. É anos luz melhor que São Paulo (e que praticamente todas outras cidades do mundo, afinal é muitas vezes votada como melhor lugar para viver). Lá o povo aproveita as ruas e os ambientes públicos. Lá tem transporte bom e ótima integração com a natureza. Que lugar, que lugar. Moraria ali tranquilamente. 
Adorei o Shrine of Remembrance (memórial de guerra) e a biblioteca principal. Aliás “de filme” essa tal biblioteca, deu até vontade de sentar 
 e estudar, escrever, ou quem sabe resolver um crime em que o serial killer faz referência ao livro Paraíso Perdido, de Milton, em seus assassinatos (esse é o enredo de Seven, mas tudo bem). Também visitamos o Victoria Market, um lugar com um clima hipster, porém acessível, que tem comidas do mundo todo. 
Outro ponto positivo da cidade é que a galera começa a tomar uma bem cedo, não tem essa de trabalhar igual maluco (pelo menos não é uma doideira igual temos no Brasil). Demais.
Fora isso curtimos muito o sofá da Clarissa. O apartamento deles é muito aconchegante e nossa recepção foi estelar. Teve churrasco (louvado seja o Senhor), lasanha, cinema, pinguim na praia e jogo de buraco. Minha fase mal humorada já estava passando a essa altura da viagem, então posso falar, pessoas são legais sim, mas sem exageros. 
O mais engraçado foi que os dias que passamos aproveitando uma casinha e um sofá nos lembraram dessas pequenas alegrias rotineiras. Saímos do Brasil justamente para fugir de muito disso, mas sempre gostamos de ter um canto nosso e de criar nossa vida em um microcosmo inabalável de amor e carinho. Pena que trabalho, trânsito, estresse e mais um monte de outras coisas entram no meio desse microcosmo que no fim não é tão inabalável assim. Isso não é um desabafo do estilo “nossa agora queremos voltar pois vimos que não dávamos valor para coisas importantes e blá blá blá”. Não. Nós sempre demos valor para isso, a viagem só nos fez ter saudades de alguns aspectos de uma vida mais tranquila e consequentemente valorizar ainda mais esse tipo de coisa quando voltarmos. Isso é, até tudo virar rotina e o marasmo e vazio existencial inerentes ao ser humano nos tomarem novamente. 
Mas não ficamos só parados não, acredite. Com muito esforço (para sair do sofá) fizemos a nossa primeira road trip da Austrália.
Durante os dias 28 de fevereiro e 1 de março alugamos um carro e fizemos o trajeto conhecido como Great Ocean Road. Olha, recomendo, foi gostoso demais. 
Só nos dois, desbravando a estrada e parando em pontos de interesse. Foi a volta daquele sentimento que tanto falo aqui é nunca consigo descrever direito. É um misto de liberdade com aventura. Uma sensação que senti muito durante as road trips que fizemos pela Austrália, mas esse tipo mágico de viagem é assunto de próximos relatos.
Voltando a estrada, e que estrada, passamos por lugares lindos - praias amarelas, praias brancas, faróis e paredões gigantescos desafiando o mar. Aliás tudo relacionado ao oceano nessa parte do país parece feroz, o mar é bravo, a terra termina de forma abrupta em formato de garras rochosas, e os dois se chocam nesse briga eterna, em que a terra sempre cede um pouco de cada vez. É violento e é lindo. Uma dança sem sutilezas. 
A parte final da Great Ocean Road é a mais bonita, após o trecho pela “floresta”, ali na altura de Port Campbell. Os 12 apóstolos são realmente algo espetacular e ainda pegamos um fim de tarde com uma leve névoa cercando o lugar, parecia que alguma batalha épica estava prestes a acontecer, como se uma monstruosidade enorme fosse surgir do oceano a qualquer momento. Aliás ali por perto tem muitos pontos lindos, vale checar o Instagram da Má (@sejogaai) para ver todos, pois eu não vou ficar falando sobre um por um aqui. 
Só vou falar que valeu demais a road trip.
Depois disso voltamos para a cidade apenas por um dia, nos despedimos de nossos amigos e partimos para Perth.
Essa foi um período especial em nossa viagem. Recarregamos energias, sentimos o gosto de ter uma casinha, mesmo que não fosse nossa, e ainda fomos bem tratados. Foi tudo que precisávamos para recuperar o gás que as maratonas de transporte asiático tinham roubado da gente. 
Beijos Quentes

Algumas fotos sobre o relato
12 apóstolos sem neblina
12 apóstolos sem neblina
12 apóstolos com neblina - climão
12 apóstolos com neblina - climão
Gibson Steps (meu corretor mudou para Gilson Steps, muito melhor)
Gibson Steps (meu corretor mudou para Gilson Steps, muito melhor)
Arco iro
Arco iro
Pessoal estiloso
Pessoal estiloso
Melbourne
Melbourne
A biblioteca ideal para resolver crimes
A biblioteca ideal para resolver crimes
Enquanto isso no passado
Mais um capítulo imperdível para quem gosta de ler sobre dor de barriga e perrengue. Claro, aconteceu na China.
China 3 ou o Capítulo da Xangai Escatológica – Volta ao Mundo em 80 Socos
Indicações
Como mencionei essa série no relato vou indicar - Russian Doll. Uma espécie de Dia da Marmota com uma moça que pega mais pesado nas drogas. Não é a melhor coisa que você vai ver na vida, mas é interessante e rápido de assistir, vale a pena. Tem na Netflix.
Russian Doll: Season 1 | Official Trailer [HD] | Netflix
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