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☕ Café com Satoshi #15: Grupo da Família VS. Hackers 🧨

📸 “No futuro, todos serão famosos por pelo menos 15 minutos” (Andy Warhol). 🎭 “No futuro, todos vão q
☕ Café com Satoshi #15: Grupo da Família VS. Hackers 🧨
By Paradigma • Issue #14 • View online
📸 “No futuro, todos serão famosos por pelo menos 15 minutos” (Andy Warhol).
🎭 “No futuro, todos vão querer ser anônimos por pelo menos 15 minutos” (P. Perez).
Esta edição da newsletter foca em temas que começam a pautar a guerra fria memética no cerne da geopolítica moderna.
Se você é daquelas pessoas que prefere não saber como a tecnologia funciona de verdade nos bastidores, pare de ler agora.

🙌 Cripto-Mártires, Uni-Vos
Visualizando os 50 bitcoin minerados por Satoshi no bloco 9 (únicos que se tem certeza que gastou), e o paradeiro deles na blockchain. Endereços atuais provavelmente ainda têm algum “pó de bitcoin de Satoshi” neles… Via “Taras”, no BitCoinTalk.
Visualizando os 50 bitcoin minerados por Satoshi no bloco 9 (únicos que se tem certeza que gastou), e o paradeiro deles na blockchain. Endereços atuais provavelmente ainda têm algum “pó de bitcoin de Satoshi” neles… Via “Taras”, no BitCoinTalk.
A identidade de Satoshi Nakamoto é o segredo mais bem guardado da internet. Onze anos depois de colocar o sistema financeiro em cheque-mate - e oito depois de ter abandonado sua cria - o inventor permanece um enigma.
O desaparecimento de Satoshi é frequentemente citado como uma “vantagem competitiva" da criptomoeda-mãe. Não há líder que possa ser alvejado. Responsável que possa ser culpado. Chefe que possa ser coagido.
Para muitos, a gênese do Bitcoin - e por consequência o registro histórico que literalmente carrega o valor da rede - é impossível de ser replicada.
O rastro da primeira transação de bitcoin (em rosa). Registrada no bloco 9, de Satoshi para Hal Finney. Via “Taras”, no BitCoinTalk.
O rastro da primeira transação de bitcoin (em rosa). Registrada no bloco 9, de Satoshi para Hal Finney. Via “Taras”, no BitCoinTalk.
Nakamoto executou um plano que, em retrospecto, parece mesmo fadado a ser único. Mas partes dele tem antecessores históricos. E, até hoje, alguns “seguidores” se aventuram a replicar o método.
Os Documentos Federalistas, importantes na gênese dos Estados Unidos, foram publicados pelos “Pais Fundadores” sob um pseudônimo.
Na década de 30, na França, Nicolas Bourbaki” foi o pseudônimo de um grupo de matemáticos que publicava descobertas polêmicas no ramo da teoria de conjuntos.
Muitos autores optaram por mascarar a identidade para se evitar represálias.
Receio de sanções levou o inventor do Esperanto (a língua universal) a publicar sua primeira proposta pseudonimamente, em 1887 (assinado: “Dr. Esperanto”).
Marie Curie, 1ª mulher a ganhar um Nobel, publicou obras originais de sua pesquisa sobre radioatividade sob pseudônimo. A razão é óbvia. Em contexto mais recente, JK Rowling (do Harry Potter) publicou o 1º livro da série usando suas iniciais porque a editora lhe recomendou esconder seu gênero.
Na seara da arte moderna, Banksy é um dos exemplos mais ilustres. Idealizador de centenas de pinturas chocantes pelo planeta, além de um documentário espetacular, segue provocando o mundo com sua identidade desconhecida.
No que tange criptomoedas, “fundadores que desaparecem” ressurgiram em 2019.
Ignotus Peverell, criador pseudônimo da moeda GRIN, deixou o projeto silenciosamente em junho (os principais desenvolvedores ainda são anônimos). O evento suscitou, é óbvio, comparações com Satoshi.
Na semana passada, Curtis Yarvin, blogueiro de extrema direita e fundador do ambicioso projeto Urbit (investido por Peter Thiel), anunciou que, após quase 20 anos de dedicação, lega a empreitada a mãos alheias e vai fazer outras coisas da vida.
Narrativas do tipo devem ganhar proeminência em anos por vir, proporcionalmente ao ímpeto de autoridades em cercar emissores de novos ativos digitais.
Curiosidade: as últimas trocas de e-mail publicadas de Satoshi eram com um programador. Este contava ter sido recém convidado pelo FBI para prestar depoimento.
Um fundador “inativo” acarreta uma distribuição mais “justa” de moedas?No Bitcoin, mesmo juntando-se os 100 endereços mais ricos da rede, não se chega a 20% dos BTC em circulação. Na Tron, bastam 40 endereços para se chegar a 90% dos TRX circulantes. Dados de 2018, via CryptoCompare.
Um fundador “inativo” acarreta uma distribuição mais “justa” de moedas?No Bitcoin, mesmo juntando-se os 100 endereços mais ricos da rede, não se chega a 20% dos BTC em circulação. Na Tron, bastam 40 endereços para se chegar a 90% dos TRX circulantes. Dados de 2018, via CryptoCompare.
1️⃣9️⃣8️⃣4️⃣🌐 A Distopia é Agora
Não é à toa que privacidade e anonimidade venham se tornando assuntos da moda.
São particularmente sensíveis no universo financeiro, onde a erradicação (em curso) do papel moeda nos conduz a uma sociedade cada vez mais “monitorável”.
1984” não se construiu do dia pra noite. “1984” existe desde a escrita do livro (1948).
“1984” não é só uma imposição. É também uma escolha.
O Big Brother não é só o Estado vigilante. É o estado de espírito do vigiado.
A cada vez que você faz uma compra no cartão, dá um like, ou manda uma mensagem no WhatsApp, seus dados privados são coletados e revendidos.
Você nunca deu a mínima.
…até 2019.
Tudo bem deixar endereço, rotina diária (GPS) e lista de melhores amigos à mão do do Zuckerberg. Mas aí a descobrir que qualquer mané pode acessar seu telefone à distância e roubar conversas do grupo da família - ou do grupo do STF - também já é demais.
A realidade é que todo serviço terceiro que usamos online é uma nova superfície de ataque disponível para hackers.
A multa recente de U$ 5B ao FB pelo vazamento da Cambridge Analytica ajudou a, pelo menos, enfiar a preocupação na cabeça de executivos de tech mundo afora.
Com uma base de usuários em êxodo, o Facebook, para super-monetizar a população que lhe resta, deve recorrer a mais e mais práticas do gênero.
Variação ano/ano no número de usuários ativos por dia e por mês, no Facebook. A medida de engajamento está negativa desde o fim de 2017 (desconsiderando outros aplicativos do grupo). Via Crypto Oracle.
Variação ano/ano no número de usuários ativos por dia e por mês, no Facebook. A medida de engajamento está negativa desde o fim de 2017 (desconsiderando outros aplicativos do grupo). Via Crypto Oracle.
Você já teve a experiência de conversar sobre um produto no telefone, e receber um anúncio dele no Instagram em seguida. Provavelmente comentou a respeito num almoço em família: os mais velhos não deram bola, e um parente “paranoico” citou alguma fonte obscura, jurando que você está sendo escutado o tempo todo.
Pois chegou a hora de conhecer as fontes do “parente paranoico”:

Não é paranoia. É fato. Tire 5 min. para ler os links acima e conclua por conta própria.
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É sério. Seja para agradecer pelo alerta que um dia você ignorou, ou para propagá-lo adiante. Repasse a única corrente de e-mail da qual vale a pena participar hoje:
☕ Café com Satoshi | Revue
👊🏴 Ciência, consciência e resistência
Só sairemos do ciclo vicioso de subordinação-privação em que nos metemos como espécie se tivermos vontade de fazê-lo. E a vontade só vem depois da consciência.
Você sabia que a chance de um algoritmo simples determinar a orientação sexual de uma pessoa, a partir de uma única foto dela, beira os 80%? E que, com 5 fotos da mesma pessoa, salta para mais de 90%? Já parou pra pensar o que isso significa em regimes que criminalizam a homossexualidade?
Talvez, aos poucos, a humanidade esteja despertando para a arapuca cyber-real que construiu.
A crise em Hong Kong é um evento que guarda valiosas lições de resistência civil.
🇭🇰 Nos protestos (contra o bullying chinês) que vem tomando a ilha pelas últimas 8 semanas, cobrir o rosto é palavra de ordem para não ser identificado pelas câmeras onipresentes.
Manifestantes se deslocam em transporte público, e juntos, para evitarem localização (GPS) ou agressões individuais. Compartilhamentos nas redes sociais seguem a regra de esconder a identidade dos envolvidos.
Granadas de gás lacrimogênio são contidas organizadamente com cones e água. Rajadas de lasers vindas da multidão nublam as miras do exército. Os protestantes criaram até uma linguagem de sinais própria para comunicar táticas em sigilo.
Já não é a plena distopia orwelliana?
Hong Kong, da esquerda para a direita: (1) estratégia de contenção de gás; (2) massacre de manifestantes no metrô; (3) lasers para cegar a polícia.
Hong Kong, da esquerda para a direita: (1) estratégia de contenção de gás; (2) massacre de manifestantes no metrô; (3) lasers para cegar a polícia.
Outro caso emblemático de opressão política (e resistência civil) é o do Irã, afundado em sanções internacionais. Ano passado, o Slack cortou o suporte a contas iranianas. Semana passada, o GitHub, maior plataforma de colaboração em software do mundo, baniu iranianos por completo (além de sírios, cubanos, criméios e norte coreanos). Incontáveis desenvolvedores ficaram órfãos de seus próprios projetos, antes hospedados no site.
No mesmo Irã, floresce uma cooperativa de tecelagem que paga funcionárias em BTC - o salário que outrora ganhavam em $ era desviado por maridos e gerentes de banco.
Lembre-se:
Utopia e distopia são duas faces da mesma moeda.
A tecnologia não é boa nem má - muito menos neutra.
O que importa é o que você faz com ela - conscientemente ou não.
🎮 Bitcoin na Cultura Pop
  • 🐉 A China acelera os planos de desenvolver uma moeda digital ante ao avanço da Libra - sua concorrente ocidental.



📚 Leitura Recomendada:
  • 👋 A Founder’s Farewell (Curtis Yarvin): despedida do fundador da Urbit. “O modelo bazar é incrível. Mas o modelo catedral existe por uma razão. O desafio para qualquer projeto ambicioso de código aberto não é escolher entre um modelo ou outro, mas quando e como migrar de catedral a bazar”.


  • 🔎👣 The End of Privacy (palestra de Michal Kosinski no Google): 1hr de vídeo para mudar de relação com sua “pegada digital” - e para entender tudo que um cientista de dados descobre sobre você a partir de uma simples selfie.

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